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Grã-Bretanha, Alemanha e França expõem diferenças sobre Iraque
A cúpula de sábado fez pouco para aproximar a posição da Grã-Bretanha, Alemanha e França sobre o Iraque, apesar do discurso otimista do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, de que "as divergências serão superadas". Os três líderes só puderam concordar em princípios vagos. Eles disseram que queriam "um Iraque estável e democrático", um "papel-chave" para as Nações Unidas e uma transferência de poder para as mãos de iraquianos "o mais breve possível". Mas há pouco de significativo em termos de acordo. Blair disse que todos concordaram em princípio que a reconstrução do Iraque é impossível sem a ONU. "E quando eu digo que não há divergência, isso inclui os Estados Unidos", acrescentou o primeiro-ministro britânico. Mas o presidente francês, Jacques Chirac, não estava interessado em uma demonstração de união. "Não há razão para que eu diga que as nossas divergências são pequenas", disse Chirac. "A França acredita que deveria haver uma mudança de direção. As Nações Unidas têm que desempenhar um papel muito mais significativo". Chirac também expôs o pouco consenso existe sobre a volta da soberania aos iraquianos, dizendo que "em modalidades e cronograma nós ainda não estamos em pleno acordo". "Desastre" Segundo o editor do Financial Times Deutschland, Wolfgang Proissl, a reunião foi "um desastre em termos de relações públicas". "A expectativa era de que os três - Blair, Chirac e Schroeder - chegassem a Berlim uma semana antes da Assembléia Geral da ONU e tentassem formular algum tipo de posição comum", disse Proissl. Blair tentou exagerar o grau de entendimento, enquanto Chirac expunha as divergências. O terceiro líder presente, o chanceler alemão Gerhard Schroeder, falou pouco - talvez tomando cuidado para não arruinar seu encontro com o presidente americano George W. Bush na semana que vem. "É muito importante que ele consiga aparentar ter reparado as relações com Bush, então ele está fazendo um esforço a mais", disse Proissl. Abordagens diversas A cautela de Schroeder também indicou divergências na abordagem de franceses e alemães. "Paris tem uma posição mais radical. Para Paris, não é tão importante arranjar uma reunião ou receber um convite para se avistar com Bush", disse Pascal Thibault, da Rádio Nacional da França. "A França também pensa no futuro no longo-prazo, quando não houver mais forças estrangeiras no Iraque. Se você pedir a devolução da soberania para os iraquianos agora, pode ser uma vantagem no futuro, quando houver alguns contratos para serem assinados", disse Thibault. Essa reunião veio em um momento de atividade diplomática febril. Há uma resolução formulada pelos Estados Unidos para o Iraque, no momento, na mesa, nas Nações Unidas que, espera-se, vai permitir que países como Índia, Paquistão ou Turquia enviem tropas para o Golfo. E quando a Assembléia Geral da ONU se reunir na semana que vem, Bush vai se encontrar com Chirac, assim como com Schroeder. Os líderes britânico, francês e alemão dizem que os detalhes da resolução serão discutidos na ONU. A julgar por esta reunião de cúpula, há muita negociação difícil a fazer. |
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