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Atualizado às: 19 de setembro, 2003 - 16h59 GMT (13h59 Brasília)
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Cobranças e vaidade desafiam talento do Milan

Dida, no Milan
Dida é um dos poucos jogadores com lugar garantido no Milan

O Milan é um time de poucas reservas, nada reservado. O jogo rossonero é franco e aberto. O Milan é também um time de muitos titulares, e este número de "insubstituíveis" vai além dos 11 necessários para entrar em campo.

Jogar os 90 minutos no time do técnico Carlo Ancelotti é um luxo concedido para poucos eleitos. A dupla de atacantes Inzaghi e Shevchenko e o goleiro Dida estão entre eles. Os três só não participam se apresentarem problemas de saúde ou forem poupados, deliberadamente.

"Cada um é titular na seleção de seu país. E, aqui, no Milan, para se ter uma idéia de como o grupo é bom, a gente fica (no banco) sem reclamar. O importante é trabalhar pelos pontos do time", afirma o semi-titular Cafu à BBC Brasil. Na mesma categoria, se enquadra Serginho.

Já Rivaldo... espera uma oportunidade de mostrar que também é bom de bola. Mas daí a ser o dono da vaga de titular vai uma longa distância. Talvez maior do que aquela que o separa de milionárias propostas de clubes árabes e do outro lado do canal da Mancha.

Concorrência

"Todo dia, a gente tem que matar um leão. A concorrência aqui é muito grande, a qualidade do time é alta e, para se firmar e conseguir um lugarzinho, tenho que ir muito bem. Fico feliz de estar jogando, independentemente de quem está fora (no caso, Rivaldo e Rui Costa)", diz Kaká, depois de jogar 90 minutos contra o Ajax.

Kaká, no Milam
Kaká jogou durante os 90 minutos na partida contra o Ajax

"No Milan, só fica quem quer. Para os descontentes, as portas estão abertas", joga duro o vice-presidente Adriano Galliani.

O técnico Carlo Ancelotti tem o problema que todos os treinadores gostariam de ter: craques demais à disposição. Esta vantagem, se for mal adminstrada, pode significar um gol contra.

"Escolho os jogadores de acordo com a estratégia a ser utilizada contra o adversário", diz Ancelotti, que tem a tarefa de coloca panos quentes nos egos feridos, com o cuidado de quem está pisando em terreno minado.

O Milan pode até ser meio camaleônico, mudar de face, mas a velocidade e a força física de seus jogadores denunciam os vetores fundamentais do time. Deu espaço?! Os rossoneri ocupam.

Mas e a escalação? A formação do time também passa pelas prioridades do clube? Ainda é cedo para seguir essa pista, mas que o time convenceu mais contra o Ajax, ninguém tem dúvida.

"Para o Milan, tanto o Scudetto como a Liga dos Campeões são importantes, mas, pessoalmente, eu prefiro a Liga", afirmou o treinador à BBC Brasil, sonhando com a defesa do título.

Vencer e vencer

A vitória, nos pênaltis, contra a Juventus, ainda está bem viva na mente de Ancelotti e tilintando nos cofres do Milan.

Na temporada passada, o principal torneio europeu movimentou a soma de meio bilhão de euros (algo como R$ 1,5 bilhão). Só pela final italiana da última Liga dos Campeões, o clube embolsou 50 milhões de euros.

Isso não significa que o Milan faça corpo mole para as outras competições. Os torcedores, há pelo menos 15 anos, estão acostumados com diversas vitórias, em todos os campeonatos disputados.

Cafu, no Milan
Cafu afirma que jogadores aceitam a reserva no clube sem reclamar

O sonho de manter os troféus da Supercopa Européia e da Copa da Itália, além é claro, de tirar o Scudetto das mãos da Juventus, está no inconsciente coletivo dos tifosi do Milan.

É que ganhar o título da casa tem um sabor todo mediterrâneo, único e especial. Já uma competição internacional dá prestígio sim, porém, não apaga a frustração doméstica. Ou seja, para a turma da arquibancada o torcedor da Juventus tem mais o que comemorar.

Mas é voz corrente no quartel-general do clube, em via Turati, no centro de Milão, que o mantra entoado pelos dirigentes é voltado para uma meta: vencer de novo a Liga dos Campeões.

Dizem que a voz do povo é a voz de Deus, mas quando o intérprete se chama Silvio Berlusconi a tradução nem sempre é simultânea.

O homem mais rico da Itália, primeiro-ministro do país e dono do time, necessariamente nesta ordem, não joga para perder.


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