|
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Cobranças e vaidade desafiam talento do Milan
O Milan é um time de poucas reservas, nada reservado. O jogo rossonero é franco e aberto. O Milan é também um time de muitos titulares, e este número de "insubstituíveis" vai além dos 11 necessários para entrar em campo. Jogar os 90 minutos no time do técnico Carlo Ancelotti é um luxo concedido para poucos eleitos. A dupla de atacantes Inzaghi e Shevchenko e o goleiro Dida estão entre eles. Os três só não participam se apresentarem problemas de saúde ou forem poupados, deliberadamente. "Cada um é titular na seleção de seu país. E, aqui, no Milan, para se ter uma idéia de como o grupo é bom, a gente fica (no banco) sem reclamar. O importante é trabalhar pelos pontos do time", afirma o semi-titular Cafu à BBC Brasil. Na mesma categoria, se enquadra Serginho. Já Rivaldo... espera uma oportunidade de mostrar que também é bom de bola. Mas daí a ser o dono da vaga de titular vai uma longa distância. Talvez maior do que aquela que o separa de milionárias propostas de clubes árabes e do outro lado do canal da Mancha. Concorrência "Todo dia, a gente tem que matar um leão. A concorrência aqui é muito grande, a qualidade do time é alta e, para se firmar e conseguir um lugarzinho, tenho que ir muito bem. Fico feliz de estar jogando, independentemente de quem está fora (no caso, Rivaldo e Rui Costa)", diz Kaká, depois de jogar 90 minutos contra o Ajax.
"No Milan, só fica quem quer. Para os descontentes, as portas estão abertas", joga duro o vice-presidente Adriano Galliani. O técnico Carlo Ancelotti tem o problema que todos os treinadores gostariam de ter: craques demais à disposição. Esta vantagem, se for mal adminstrada, pode significar um gol contra. "Escolho os jogadores de acordo com a estratégia a ser utilizada contra o adversário", diz Ancelotti, que tem a tarefa de coloca panos quentes nos egos feridos, com o cuidado de quem está pisando em terreno minado. O Milan pode até ser meio camaleônico, mudar de face, mas a velocidade e a força física de seus jogadores denunciam os vetores fundamentais do time. Deu espaço?! Os rossoneri ocupam. Mas e a escalação? A formação do time também passa pelas prioridades do clube? Ainda é cedo para seguir essa pista, mas que o time convenceu mais contra o Ajax, ninguém tem dúvida. "Para o Milan, tanto o Scudetto como a Liga dos Campeões são importantes, mas, pessoalmente, eu prefiro a Liga", afirmou o treinador à BBC Brasil, sonhando com a defesa do título. Vencer e vencer A vitória, nos pênaltis, contra a Juventus, ainda está bem viva na mente de Ancelotti e tilintando nos cofres do Milan. Na temporada passada, o principal torneio europeu movimentou a soma de meio bilhão de euros (algo como R$ 1,5 bilhão). Só pela final italiana da última Liga dos Campeões, o clube embolsou 50 milhões de euros. Isso não significa que o Milan faça corpo mole para as outras competições. Os torcedores, há pelo menos 15 anos, estão acostumados com diversas vitórias, em todos os campeonatos disputados.
O sonho de manter os troféus da Supercopa Européia e da Copa da Itália, além é claro, de tirar o Scudetto das mãos da Juventus, está no inconsciente coletivo dos tifosi do Milan. É que ganhar o título da casa tem um sabor todo mediterrâneo, único e especial. Já uma competição internacional dá prestígio sim, porém, não apaga a frustração doméstica. Ou seja, para a turma da arquibancada o torcedor da Juventus tem mais o que comemorar. Mas é voz corrente no quartel-general do clube, em via Turati, no centro de Milão, que o mantra entoado pelos dirigentes é voltado para uma meta: vencer de novo a Liga dos Campeões. Dizem que a voz do povo é a voz de Deus, mas quando o intérprete se chama Silvio Berlusconi a tradução nem sempre é simultânea. O homem mais rico da Itália, primeiro-ministro do país e dono do time, necessariamente nesta ordem, não joga para perder. |
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||