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Atualizado às: 18 de setembro, 2003 - 17h05 GMT (14h05 Brasília)
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Colômbia tem 11 mil crianças em conflito armado, diz relatório
Acampamento das Farc na Colômbia
Acampamento das Farc na Colômbia: recrutamento de menores é comum

Mais de 11 mil crianças estão lutando no conflito armado da Colômbia, segundo relatório da Human Rights Watch divulgado nesta quinta-feira.

O relatório tem 150 páginas e seu conteúdo foi extraído de entrevistas feitas com 112 ex-combatentes infantis, mostrando como a pobreza encontrada em regiões rurais da Colômbia é "explorada" pelos guerrilheiros para recrutar menores.

"Eles te ensinam aos poucos, primeiro com um revólver 38 e então com uma arma maior. Eu atirava com um rifle AK-47 antes de completar oito anos", disse Bernardo, um dos entrevistados pela organização.

O relatório é intitulado "Você aprenderá a não chorar: Crianças Combatentes na Colômbia".

Crime de guerra

Segundo a organização, tanto guerrilheiros como forças paramilitares usam crianças como combatentes.

O documento aponta que o número de crianças combatentes aumentou nos últimos anos, sendo que as estimativas indicam que apenas Myanmar (ex-Birmânia) e a República Democrática do Congo tenham mais combatentes infantis do que a Colômbia.

Essas crianças são usadas em todo tipo de operação desses movimentos, tendo, inclusive, sido encarregadas de matar outros combatentes infantis que tentavam desertar.

 O uso de combatentes com menos de 15 anos é um crime de guerra

José Miguel Vivanco

"Ao recorrer a crianças para lutar, as guerrilhas e os paramilitares estão estão causando um mal incalculável à sociedade colombiana", disse José Miguel Vivanco, diretor-executivo para a região das Américas da organização.

Cerca de 80% das crianças envolvidas em combates pertencem a dois grupos de guerrilha, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc e o Exército de Libertação Nacional (ELN).

Pelo menos um em cada quatro combatentes irregulares no país tem menos de 18 anos. Desses, milhares têm menos de 15 anos, idade mínima permitida para recrutamento, pela Convenção de Genebra.

"O uso de combatentes com menos de 15 anos é um crime de guerra", disse Vivanco.

A pesquisa mostra que muitas crianças se juntam a esses movimentos em troca de proteção ou de comida, para escapar de violência doméstica ou ainda por causa de promessas de recebimento de dinheiro.

Outras são crianças de rua ou são coagidas a fazer parte mediante ameaça armada.

Os combatentes infantis são treinados para usar rifles, granadas e morteiros às vezes a partir de 13 anos ou até menos.

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