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Uribe defende pacto para melhorar preço do café
O presidente colombiano, Álvaro Uribe, defendeu a realização de um acordo para melhorar os preços internacionais do grão de café como a alternativa perfeita na superação da mais longa e profunda crise que vive o setor. A proposta foi feita nesta terça-feira, durante a abertura oficial do encontro da Organização Internacional do Café (OIC), em Cartagena. Num discurso duro contra a indústria torrefadora e os países importadores do produto, Uribe defendeu a realização de um pacto que permita preços mais eqüitativos no mercado do grão. De acordo com ele, a dramática situação em que vivem os países produtores é causada pelos baixos preços do café. Segundo Álvaro Uribe, esse pacto deverá ser firmado numa reunião entre representantes da indústria, produtores e os presidentes do Brasil, da Colômbia e de Honduras, responsáveis por 52% da produção mundial de café. "A incompreensão e a indiferença da indústria torrefadora dos países consumidores têm barrado a implementação de soluções audazes para enfrentar a crise", afirmou o colombiano. "Os tostadores e a indústria processadora devem guardar suas calculadoras, deixar de pensar no negócio imediato e fazer um exercício de refexão para encontrar soluções", completou. Tom enérgico O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve o mesmo tom enérgico de Uribe em seu discurso. Ele defendeu a cooperação de produtores e consumidores para superar a crise e encontrar uma solução duradoura e, sobretudo, justa e definitiva ao problema dos baixos preços do grão. "É inaceitável que hoje apenas um lado esteja ganhando: a indústria torrefadora nos países desenvolvidos, as boutiques de café, sem falar nos países que impõem elevados tributos internos ao café processado", assinalou o presidente. Lula começou seu discurso ressaltando a importância histórica do café no Brasil. Em seguida, reclamou soluções justas e eqüitativas da comunidade internacional, que passe a remunerar bem os produtores. De acordo com ele, as negociações em curso na Organização Mundial do Comércio (OMC) terão papel decisivo na abertura e expansão de mercados. "O café, como os demais produtos de base, sofre as conseqüências da agressiva política protecionista dos países importadores", disse. "Resolver o problema do café é exigir uma verdadeira liberalização do comércio. É obter o compromisso dos países importadores de reduzir as altas tarifas que criam obstáculos formidáveis à agregação de valor ao café que exportamos". Lula fez um apelo aos países importadores para que reduzam a zero as tarifas sobre o café processado. De acordo acom ele, dessa forma, eles poderão apoiar a industrialização dos países produtores. "Nós já sabemos onde está o problema", afirmou Lula. "O problema está nas altas tarifas que cobram os países importadores e na meia dúzia de empresas que monopolizam o mercado". O presidente brasileiro também propôs a criação de uma câmara setorial, com a presença dos presidentes de Honduras, Brasil e Colombia, permitindo que o preço do café seja determinado de forma justa. Lula acredita que todos – torrefadores, exportadores, consumidores e produtores – podem sair ganhando. "Na divisão do bolo do café, a maior parte é comida pela indústria e as migalhas ficam com o produtor", afirmou Lula. Equilíbrio Ricardo Maduro, presidente de Honduras, disse que a solução à crise que atravessa o setor não passa apenas pela alta de preços. De acordo com ele, que falou em nome de todos os países da América Central, é necessário reconstruir o equilibrio entre aqueles que produzem a matéria prima e os que a consumem. Maduro informou que, devido à crise de preços, foram perdidos mais de 100 mil empregos no setor de café em seu país. Segundo o hondurenho, a possibilidade de diversificação ou modernização dos cultivos de café não pode ser negada pelos países desenvolvidos, responsáveis pelos preços baixos. No encontro da OIC, que termina na próxima sexta-feira, devem ser analisadas todas estas propostas feitas pelos presidentes dos principias países produtores de café. O diretor executivo da organização, Néstor Osório, acredita que os participantes devam optar por medidas de grande impacto que apontem numa solução justa e duradoura à crise do setor. |
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