|
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Investimento em educação e saúde faz aposta no futuro
Depois de muito pesquisar, o BankBoston constatou que o investimento em educação é o que dá mais retorno. “É como se entregássemos para a criança um capital que ela vai poder despender durante toda a sua vida. Se entregássemos alimento, ela iria apenas consumir”, afirma Bertrando Molinari, diretor de Assuntos Institucionais do BankBoston. Denise Aguiar, diretora da Fundação Bradesco, bate na mesma tecla ao explicar por que o banco investe em educação. “Meu avô (Amador Aguiar, fundador do Bradesco) achava que a educação era a coisa mais importante na vida de uma pessoa, justamente porque ele não teve. Ele cursou só até o quarto ano primário (equivalente hoje ao quarto ano do ensino fundamental) e foi um autodidata.” Mudanças Willians Pereira dos Santos, de 19 anos, Priscila Gomes Freitas e Richele Manoel, ambas de 18 anos, integrantes do Geração XXI, um dos projetos patrocinados pelo BankBoston, concordam. Eles fazem parte do grupo de 21 jovens negros que têm seus estudos pagos pelo banco desde a 8ª série do Ensino Fundamental até o fim da universidade. Além das aulas regulares, eles vão a exposições – Os guerreiros de Xian e os tesouros da cidade proibida foi uma das que mais gostaram – e assistem a palestras de convidados como o rapper Thayde e a jornalista Míriam Leitão.
Os três estudantes conseguem identificar mudanças em suas vidas. “Todo mundo mudou um pouco, adquiriu um pouco mais de consciência sobre todas as coisas, tanto sobre a questão racial, como a postura diante dos estudos, tudo”, diz Priscila, que estuda jornalismo na Universidade Metodista de São Paulo. Richele, aluna da terceira série do Ensino Médio, diz que uma das melhores coisas foi ter adquirido consciência sobre a história do negro no Brasil. “A gente aprendeu a lidar com situações de preconceito, de discriminação racial. Uma coisa que a gente nunca pára para pensar, ou deixa passar, a gente aprendeu a não abaixar a cabeça para essas situações.” Nem tudo flui sem percalços, apesar de Willians dizer que nunca recebeu um tratamento diferente dos colegas do colégio Objetivo, onde foi estudar com o patrocínio do banco. Maria Aparecida da Silva, coordenadora-executiva do Geração XXI, conta que já houve caso de professor de escola particular se dirigindo em inglês a um dos integrantes do projeto, por achar que para estar ali ele só poderia ser estrangeiro. Discriminação O diretor de Assuntos Institucionais do BankBoston diz que não há contradição em investir em um projeto para jovens negros quando não há praticamente nenhum funcionário negro trabalhando no banco. “O projeto nasceu dessa constatação e vimos que era necessário fazer alguma coisa. E as nossas fontes de recrutamento não oferecem candidatos negros para as vagas. Quando você tem uma empresa que sai recrutando pessoas para funções que requerem um determinado nível de educação, você simplesmente não encontra a população de origem africana. Porque eles foram discriminados lá na base da pirâmide”, afirma. No Bradesco, o alvo são crianças em idade escolar. A primeira escola foi criada em 1956, tornando o banco uma das empresas que primeiro investiram em responsabilidade social no Brasil. Com a abertura de uma escola em Roraima, neste ano, todos os Estados têm uma escola da Fundação. Entre os cursos, há aulas de alfabetização para adultos, música e teatro. “Sempre escolhemos uma área carente, mas tão longe que seja inacessível aos professores. As do Rio e de Osasco são as únicas que não ficam em áreas carentes”, diz Denise Aguiar. A escola de Osasco foi a primeira a ser inaugurada. Foi lá que Jefferson Ricardo Romon estudou por 11 anos. Hoje ele é gerente do Departamento Administrativo e Financeiro da Fundação Bradesco. “Nós não tínhamos uma condição sócio-econômica privilegiada e foi uma oportunidade ímpar porque muita gente sempre procurou a escola”, afirma. Dois lados Hoje seus dois filhos também estudam na escola de Osasco. E por conhecer os dois lados da moeda, ele diz saber quem se beneficia nessa relação da empresa com a sociedade. “Com certeza é o estudante, a sociedade, porque o trabalho da fundação, na verdade tem a intenção de ser complementar ao trabalho do Estado. E ela traz um benefício para pessoas que, sem a fundação, não teriam condições de estar num banco escolar.” Enquanto Bradesco e BankBoston são grandes investidores na área de educação, na área de saúde o McDonald’s é uma das empresas que mais se destaca. Tudo o que a empresa arrecada com a venda de sanduíches Big Mac no McDia Feliz é destinado a instituições que combatem o câncer infanto-juvenil no Brasil. No Rio de Janeiro, a beneficiada é a Casa Ronald McDonald.
A casa recebe crianças e adolescentes até 18 anos, de famílias de baixa renda, em tratamento contra a doença. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) é o hospital que atende a 90% desses jovens. “Elas moram longe do hospital e, por dificuldade de acesso, muitas vezes as famílias não tinham como dar prosseguimento ao tratamento”, explica Sônia Neves, diretora da Casa Ronald McDonald. Cura Cada criança e adolescente tem um quarto, onde fica com um parente, em geral a mãe. Lá, os pacientes fazem arteterapia, musicoterapia, as mães têm aulas de artesanato e recebem bolsas de alimentos. Voluntários ajudam a cuidar de tudo. Michelle Gomes Jorge, de 19 anos, deixou sua casa em Duque de Caxias para acompanhar o filho Matheus, de 4 anos, em tratamento. Mãe e filho passaram dois meses na casa. “O tratamento seria mais difícil se não viéssemos para cá. Nós moramos longe. Em casa ele não queria comer, não brincava com as outras crianças. Aqui ele come, brinca com crianças que ele sabe que têm a mesma doença e está bem melhor”, afirma. O vice-presidente do McDonald’s, Roberto Désio, usa estatísticas para medir o sucesso do projeto. “Antes, o câncer infantil tinha percentual de cura de 30% e hoje é de 70%. Não sei se graças ao McDonald’s ou não. Mas sabemos que a causa tem uma mensuração de sucesso.” |
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||