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Protestos na Bolívia têm motivo político, diz ministro
O ministro do Interior da Bolívia, Yerko Kukok, disse que os protestos realizados nesta segunda-feira no país tiveram motivação política. Manifestantes bloquearam uma série de estradas para mostrar sua oposição aos planos do governo de ampliar a venda do gás natural para outros países. A série de protestos, que foi chamada de “A Guerra pelo Gás” pelos manifestantes, impediu o trânsito nas principais estradas ligando a capital boliviana, La Paz, e outras cidades do país. Também foram bloqueadas estradas ligando a Bolívia ao Chile e ao Peru. Brasil Segundo o ministro Kukok, os protestos tiveram o objetivo de conquistar o apoio de eleitores para a oposição nas eleições locais, que devem ser realizadas no próximo ano. A Bolívia tem as maiores reservas de gás natural na América Latina. O Brasil compra gás natural da Bolívia, que é transportado por meio do Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol). A previsão é que, até 2007, o Brasil receba cerca de 30 milhões de metros cúbicos de gás natural boliviano pelo gasoduto. Até fevereiro último, o Gasbol transportava cerca de 12 milhões de metros cúbicos de gás boliviano para o Brasil. Segundo o correspondente da BBC na Bolívia, Elliot Gotkine, investidores estrangeiros já aplicaram US$ 2,5 bilhões de dólares em projetos para explorar o gás no país. Os manifestantes querem que cerca de 250 mil residências na Bolívia passem a ter fornecimento gratuito de gás antes que ele seja exportado. O país está atualmente negociando novos contratos de exportação com o México e com os Estados Unidos. História Na semana passada, milhares de manifestantes realizaram uma passeata por sete dias em La Paz para protestar contra as políticas adotadas pelo presidente Gonzalo Sánchez de Lozada. A oposição preparou uma lista de reivindicação com 70 itens e exige discutir as propostas com representantes do governo. O principal líder de oposição no país, Evo Morales, ameaça convocar a realização de greves na Bolívia nesta sexta-feira, caso o governo se recuse a aceitar as propostas. De acordo com o correspondente da BBC na Bolívia, Luis Crespo, os protestos também têm um fundo histórico, já que o governo boliviano tem planos de construir um gasoduto passando por parte do território chileno, ligando a Bolívia à costa do Oceano Pacífico. Tal região costeira pertencia à Bolívia, mas foi conquistada pelo Chile em uma guerra entre os dois países, em 1879. Uma organização que reúne sindicatos e órgãos da sociedade civil, a Estado Maior do Povo, argumenta que a construção do gasoduto não irá beneficiar os bolivianos, mas apenas multinacionais do setor petrolífero. Um consórcio formado pelas multinacionais Repsol-YPF, British Gas e British Petroleum pretende investir até US$ 7 bilhões no projeto, para a construção do gasoduto de 800 quilômetros. No porto chileno, o consórcio também pretende construir uma usina para liquefazer o gás, possibilitando que ele fosse exportado para o México e Estados Unidos por via marítima. |
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