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Atualizado às: 22 de setembro, 2003 - 18h41 GMT (15h41 Brasília)
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Para Ibase, balanço social não deve ser obrigatório

João Sucupira é coordenador de transparência e responsabilidade social do Ibase
Sucupira: com obrigatoriedade, balanço não será mais questão de consciência

Quando poucas pessoas falavam em responsabilidade social no Brasil, o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, um dos fundadores do Ibase, lançou uma campanha de transparência nas ações sociais das empresas. No mesmo ano, 1997, o Ibase criou o selo de balanço social.

O selo é dado anualmente a empresas que publicam seu balanço social de acordo com os critérios estabelecidos pelo Ibase. Assim, as empresas têm que informar, por exemplo, quanto investiram em meio ambiente, quantas mulheres e negros ocupam cargos de chefia e quantos empregados são portadores de deficiência ou necessidades especiais.

A publicação de um balanço social não é obrigatória por lei e, segundo João Sucupira, coordenador de transparência e responsabilidade social do Ibase, é melhor que não seja.

“Se o Congresso aprovar uma lei que obrigue as empresas a publicar esse balanço, a campanha de responsabilidade social passa a não ter muito sentido, porque não será mais uma questão de consciência, de motivação, mas de se cumprir uma lei”, diz Sucupira.

Passo a passo

“Na França, e em outros países onde o balanço é obrigatório, ficou uma coisa sem controle. Nem o Estado tem condições de verificar toda aquela quantidade de números, nem a sociedade, porque não tem interesse mesmo”, afirma.

No México, o balanço social também não é obrigatório. Felipe Cajiga, do Centro Mexicano de Filantropia (Cemefi), diz que está trabalhando para divulgar a idéia entre as empresas.

“É um processo que está indo passo a passo, mas cada vez temos mais empresas que estão pelo menos incluindo suas atividades sociais dentro de seus informes financeiros”, afirma.

O empresário Emerson Kapaz, que foi relator de um projeto de lei sobre responsabilidade social quando cumpria seu mandato como deputado federal (PPS-SP), também é contra a obrigatoriedade.

“Conversei com entidades de classe, como a CNI e a Febraban, e concluímos que nesse momento seria um tiro pela culatra. Achamos que é melhor deixar para daqui a dois ou três anos, para ver onde a responsabilidade social vai parar”, diz.

O ponto polêmico do projeto, segundo Kapaz, era o nível de detalhamento a que o balanço descia, acessível apenas para grandes empresas, que têm um departamento contábil maior.

Paulo Itacarambi, diretor-executivo do Instituto Ethos, afirma que, com a obrigatoriedade, o balanço social já nasce morto.

“À medida que as empresas passarem a adotar, à medida que o BNDES exigir o balanço para conceder financiamentos, então, sim, o balanço passa a ser efetivo. Do contrário, a empresa fica na defensiva”, afirma.

Para Kapaz, o balanço social ideal deve ter informações sobre a diversidade dos funcionários, mostrar se a empresa tem serviços sociais adequados para os funcionários e como cuida das questões ambientais.

Impostos

É como o balanço social do Ibase, que vai além. Nele há um item que fala do pagamento de impostos. Sucupira diz que entende quando alguém estranha, já que o pagamento de impostos é uma obrigação.

“De fato, como o nome diz, ele é imposto, não é uma questão de querer pagar ou não. Mas está no balanço social porque, com esse instrumento, estamos querendo trazer para a discussão questões éticas”, afirma.

“Sabemos que no Brasil muitas pessoas e empresas sonegam o pagamento de seu imposto. Pôr essa questão no balanço, assim como o número de pessoas com deficiência, é interessante para que as empresas tenham naquele modelo uma forma de gerir a sua empresa.”

Outro item que faz parte do balanço social do Ibase é a relação entre o maior e o menor salário dentro da empresa.

Sucupira tem dados que mostram que em países como a Suécia e a Noruega, o maior salário em uma companhia é, em média, equivalente a 11 vezes o menor. Em países do sul da Europa, a relação varia entre 20 e 25. Nos Estados Unidos, esse índice fica entre 30 e 35. No Brasil, é de 150.

“Isso retrata bem a desigualdade que existe em nosso país”, afirma. “Muitas empresas se limitam a fazer propaganda de suas ações sociais, mas arrocham nos salários. Isso não vem do coração.”

Atualmente, 200 empresas publicam o balanço social segundo o modelo do Ibase. Mas nem todas cumprem todos os itens ou se mostram com uma boa imagem.

“Para nós o que importa é que a empresa tenha a coragem, a audácia de publicar, tanto internamente quanto externamente. Se os números ainda não refletem um quadro de excelência, é uma questão de tempo. Se a empresa publica o balanço é porque tem interesse em melhorar”, diz Sucupira.

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