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Atualizado às: 19 de setembro, 2003 - 19h10 GMT (16h10 Brasília)
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Cresce investimento em responsabilidade social, diz Ipea

Priscila diz que não teria condições de pagar por seus estudos
Priscila Gomes Freitas participa do projeto Geração XXI

Priscila Gomes Freitas, de 18 anos, vem de uma família de baixa renda da Bela Vista, na capital paulista, e estuda jornalismo na Universidade Metodista de São Paulo. Sem recursos, ela se vale do projeto Geração XXI, desenvolvido pelo BankBoston, que financia os estudos de 21 jovens negros até o fim da universidade.

"Minha vida mudou bastante. Sem esse projeto, eu estaria estudando, mas trabalhando também. Conciliar as duas coisas é possível, mas um pouco difícil", diz ela, filha de um vendedor de eletrodomésticos e de uma dona de uma pequena confecção.

O Geração XXI é a parte mais visível de um programa do BankBoston que, assim como outras empresas brasileiras – de grande, médio ou pequeno porte –, investe em responsabilidade social.

Há quem confunda responsabilidade social com filantropia, e os projetos sociais não são o único componente da responsabilidade social.

Investimento

"A filantropia, seja por parte da empresa ou do empresário, destina parte do lucro para o investimento social. Na responsabilidade social de empresas, o que se busca é que a própria atividade econômica seja geradora de riqueza para a sociedade e para o meio ambiente", define Paulo Itacarambi, diretor-executivo do Instituo Ethos, criado há cinco anos para difundir o conceito de responsabilidade social entre os empresários.

O retrato mais preciso da responsabilidade social de empresas no Brasil mostra que R$ 4,7 bilhões foram investidos nessa área em 2000, de acordo com as estatísticas mais recentes. Esse total representa 0,43% do PIB brasileiro e tende a crescer, segundo a socióloga Anna Peliano, que coordenou a pesquisa, feita pelo Ipea.

Um livro com os detalhes desse estudo será lançado até o fim do ano. Com o nome de "Iniciativa privada e o espírito público - Ação Social das Empresas Privadas no Brasil", ele vai trazer uma radiografia de todo o país e não apenas de cada região, como suas edições anteriores.

A socióloga Anna Peliano coordenou uma pesquisa para o Ipea
A socióloga Anna Peliano coordenou uma pesquisa para o Ipea

Só para comparar: nos Estados Unidos, os recordistas mundiais nesse quesito, as empresas desembolsaram US$ 10,1 bilhões (o equivalente a R$ 30,3 bilhões) em ações de responsabilidade social no mesmo ano. Ou 0,11% de seu PIB.

Peliano ressalta que a comparação deve levar em conta que o estudo americano foi feito com outra metodologia. Ainda assim, ela acredita que o Brasil está indo por um bom caminho.

"Eu me surpreendi com o grande volume de recursos que as empresas investiram nessa área. Também me surpreendi com o percentual de empresas que fazem algum tipo de ação para a comunidade: 59%", afirma.

"E até as pequenas empresas também dão a sua contribuição. É claro que nós estamos falando de ações muito diferenciadas. Vão desde pequenas doações eventuais até projetos bem estruturados. De qualquer forma, o que isso sinaliza é uma disposição de contribuir de uma forma ou de outra para a sociedade."

Bondade ou interesse?

A socióloga é autora do livro Bondade ou interesse? Como e porque as empresas atuam na área social. Ela afirma que a motivação das empresas não se dá apenas por bondade nem só por interesse.

"Nem uma coisa nem outra exclusivamente. Uma série de fatores vem levando as empresas a aumentarem sua participação na área social. Por um lado tem, sim, a questão humanitária, a vontade de ajudar, que está sempre presente no ser humano. Mas cada vez mais as empresas começam a perceber que isso também é bom para os negócios."

"É bom para a imagem da empresa junto à sociedade e junto à vizinhança. Melhora o relacionamento com os empregados, com os fornecedores. Acaba trazendo benefícios para as próprias empresas", afirma.

Para ela, a pressão da sociedade também tem um peso. Peliano diz que cada vez mais se percebe que o governo não vai resolver sozinho todos os problemas sociais. Segundo ela, por isso as empresas perceberam que também têm que dar sua contribuição.

De acordo com a socióloga, a curto prazo as empresas vão investir mais nessa área. Ela afirma que à medida em que o governo tiver êxito na sua convocação à sociedade, mais as empresas vão participar.

Mas, alerta, é um engano acreditar que o Estado deve se sentir isento de seu compromisso com a sociedade. Segundo Anna Peliano, quanto mais o Estado fizer, mais as empresas farão.

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