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Atualizado às: 06 de setembro, 2003 - 02h33 GMT (23h33 Brasília)
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Representante da ONU diz que Libéria precisa de mais soldados
Soldados nigerianos conversam com morador
A presença de soldados nigerianos conseguiu acabar com os conflito em Monróvia

Assassinatos, estupros e saques irão continuar caso uma grande força de paz não seja empregada na Libéria, disse o representante da ONU no país, Jacques Klein.

Klein estima que cerca de 15 mil soldados são necessários para que o cessar-fogo assinado no mês passado funcione.

"A não ser que, desta vez, nós façamos a coisa certa, a situação irá desestabilizar a África Ocidental", disse Klein em uma entrevista à imprensa na capital liberiana, Monróvia.

O correspondente da BBC na cidade, Mark Doyle, disse ser provável que uma força de paz desse tamanho seja aprovada pela ONU, fazendo com que seja a maior em operação no mundo.

O enviado da ONU descreveu a Libéria como um país-chave para a estabilidade de toda a África Ocidental.

"Eu acho que há um entendimento na região de que isso, desta vez, tem de funcionar", afirmou Klein.

Estados Unidos

Klein também fez um apelo para que os Estados Unidos fiquem além do prazo estipulado para o começo de outubro para a retirada de seus soldados do país.

O representante da ONU já citou alguns países que poderão vir a contribuir com soldados para uma força de paz maior, incluindo a Nigéria, a Irlanda, a África do Sul e vários países asiáticos.

A força de paz enviada por países da África Ocidental à Libéria tem 3.050 soldados e deverá chegar a 3.500 homens até quarta-feira.

o correspondente da BBC disse que o desafio enfrentado por qualquer força de paz no país é imenso, com a sociedade civil precisando de reconstrução e dezenas de milhares de rebeldes que viveram com as mãos em armas por toda uma geração.

Medo

Mais cedo na sexta-feira, os soldados da força de paz presente no país fizeram um apelo para que milhares de liberianos voltem aos campos de refugiados ao redor da cidade de Totota, cerca de 80 quilômetros ao norte de Monróvia, dizendo que a área é segura.

Uma equipe da força de paz foi ao local na quinta-feira para investigar relatos de confrontos entre rebeldes e forças do governo, mas não encontrou nenhuma evidência de que isso esteja de fato ocorrendo, segundo o comandante Theophilus Tawiah.

o coronel Tawiah disse à BBC que soldados recém-chegados da Guiné-Bissau serão enviados para a cidade de Kakata, no centro do país, até o fim de semana.

Cerca de dois mil soldados colocaram um fim aos conflitos perto de Monróvia, mas ainda não foi possível empregá-los em outras áreas do país.

Também houve relatos de conflitos em Nimba, no leste do país, reduto do ex-presidente Charles Taylor, mas Tawiah disse que a força de paz não tinha autorização para agir na região.

Um governo interino que irá adminsitrar o país até 2005 – quando então serão realizadas eleições – deverá assumir o poder em outubro. Por enquanto, o vice-presidente de Taylor, Moses Blah, está no comando.

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