BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 04 de setembro, 2003 - 15h26 GMT (12h26 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Agência de turismo organiza excursão para o Iraque

Lembranças do Iraque (algumas imagens são da agência Live Travel)

Uma agência de viagem da Grã-Bretanha está em vias de enviar o primeiro grupo de turistas para uma visita ao Iraque pós-guerra.

Para esses viajantes destemidos, a vontade de visitar o berço da civilização obscurece os perigos reais e as dificuldades a serem enfrentadas na viagem.

O folheto de informações para os turistas deixa isso claro. Nele se lê: "Itinerário. Nota - Devido a distúrbios no Iraque, nosso roteiro está sendo e será, sem dúvida, modificado diariamente. Flexibilidade e senso de humor serão necessários. Dia 1. Nós ainda temos esperança de desembarcar em Bagdá com translado para nosso hotel (mas há possibilidade de viagem por terra de Amman)."

É isso o que espera os clientes da Hinterland Travel para a primeira excursão pós-guerra ao Iraque.

O grupo deve partir no domingo e há nervosismo no escritório da Hinterland, onde o gerente, Geoff Hann, faz um verdadeiro malabarismo para harmonizar preocupações com segurança e a complicada logística de levar pessoas a um país ainda em alerta vermelho.

Os distúrbios no Iraque são de tal dimensão que um turista idoso ainda tem que informar sua família de seus planos de viagem. Outro desistiu no último minuto.

Se por um lado há grande interesse nas riquezas arqueológicas do Iraque, por outro, o risco de vida é suficiente para desencorajar os viajantes menos determinados.

No mês passado, um atentado a bomba suicida nas instalações da ONU em Bagdá matou mais de 20 pessoas e levou a uma retirada maciça do pessoal não-essencial da organização. Foi o primeiro de uma onda de ataques que tinham como alvo civis.

Mesmo clientes antigos da Hinterland estão preocupados. Anne Wynne, de 66 anos, disse que a tentação de voltar ao Iraque ainda não é tão forte.

Ela já esteve no país, em 2002, e no Afeganistão, há seis meses.

"Eu não gostaria de voltar agora. Eu não sou uma viajante nervosa, mas eu não me sentiria segura no momento. Para começar, eu não confio nos soldados americanos", disse Wynne.

"Dito isso, eu tive uma boa estada no Iraque em setembro passado. A parte arqueológica foi o ponto alto, e cuidaram muito bem da gente – isso, apesar de terem tentado fazer com que eu, uma vegetariana, comesse carne. As fotos da viagem ficaram extraordinárias. Nós tivemos um segurança conosco o tempo todo que recomendava que não usássemos nossas máquinas fotográficas. Ele sentava na frente do ônibus e não parecia passar pela cabeça dele que nós podíamos tirar fotos de gente e de mísseis de dentro de um veículo em movimento."

A Hinterland vem promovendo excursões para o Iraque desde 1972, com um intervalo de nove anos depois da invasão do Kuwait.

Hann está empenhado em retomar as excursões a um país que conhece bem e de que gosta muito.

Ele vê o turismo como uma forma de devolver aos iraquianos sua independência financeira.

"Eu espero realizar várias excursões para Iraque pós-guerra neste ano, e retomar nossas viagens arqueológicas na primavera (no segundo semestre, no Hemisfério Norte). Vamos ser francos, se as coisas não se resolverem em seis meses, nós todos vamos ter um monte de problemas", disse ele.

Intrépido ou bobo?

O Ministério do Exterior da Grã-Bretanha desaconselha qualquer viagem ao Iraque que não seja essencial.

Em sua website, onde há recomendações gerais a potenciais turistas britânicos, o Iraque é tido como um local onde o nível de perigo continua alto. "Nós continuamos a receber informações que indicam que terroristas estão realmente buscando para alvo interesses americanos e britânicos no Iraque. A ameaça a cidadãos britânicos continua alta."

Outras agências de viagem que organizam excursões para turistas mais aventureiros também estão atentas a essas recomendações. Phil Haines, da Live Travel, disse que tinha planejado levar um grupo para o Iraque em maio, mas a viagem foi suspensa indefinidamente.

"Não só é perigoso, mas a infra-estrutura está longe de atender às necessidades dos viajantes... Alguns dos hotéis que costumávamos usar foram totalmente saqueados", afirmou Haines.

Até encontrar vôo está difícil. Mais de 20 companhias aéreas manifestaram desejo de realizar vôos ao Iraque, mas acabaram engavetando os planos por preocupação com segurança.

Mesmo antes de conseguir autorização para isso, a companhia aérea holandesa KLM começara a aceitar reservas para vôos a partir de 1 de setembro. Essa data foi transferida para o fim de outubro.

Mas o interesse de viajar para o Iraque ainda é alto entre os que gostam de férias radicais.

Haines disse que muita gente o procurou para visitar o país desde o fim das hostilidades e, mesmo durante a guerra, ele recebeu muitas consultas, "de americanos em sua maioria, que não estavam entendendo bem que o local não oferecia segurança".

ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade