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Igrejas brasileiras atraem fiéis em Londres
São 7h30 da noite no tradicional bairro de Notting Hill, em Londres. Numa rua movimentada, o som que sai de uma igreja chama a atenção dos brasileiros que passam. São cânticos religiosos e orações em português, mais precisamente português do Brasil. A igreja é alugada duas vezes por semana pela denominação evangélica Assembléia de Deus, que abriu suas portas na Grã-Bretanha há três anos e já reúne 13 grupos ao redor do país. O pastor Wesley Alves conta que começou a fazer cultos em seu apartamento, devido ao alto custo para alugar uma sede própria. Agora, a igreja já planeja comprar um templo, que deve custar quase 1 milhão de libras (o equivalente a R$ 4,8 milhões) pelos cálculos da igreja. Fiéis O pastor diz que recebe basicamente dois tipos de fiéis. O primeiro é aquele que já era religioso no Brasil e, ao se mudar para Londres, procura cultos para freqüentar. Mas, de acordo com o líder assembleiano, outros fiéis buscam as igrejas evangélicas, às vezes depois de passar por momentos de depressão longe da família. O único padre brasileiro a celebrar missas em Londres, Fred Ribeiro, confirma essa tendência. Ele fala que recebe em suas missas muitas pessoas que, no Brasil, eram de famílias católicas, mas que não freqüentavam a igreja. O padre, no entanto, diz que é difícil ter uma penetração igual à das igrejas evangélicas na comunidade brasileira. "Eu tenho impressão que a maneira com que eles trabalham no arrebanhamento de fiéis é muito mais convincente. Eles têm todo um esquema de apoio montado de acolhimento, de arrumar emprego, de arrumar acomodação, de dar abrigo, teto, acolhimento ao fiel que quer se converter", diz o padre. Ribeiro também afirma que, apesar de a Igreja Católica ter projetos sociais como visitas a presos brasileiros na Grã-Bretanha, não há condições de prestar auxílio para emprego e acomodação. "O máximo que fazemos é, depois das missas, perguntamos se alguém sabe de empregos para brasileiros, mas não é nada formal." Estatísticas Apesar de não haver estatísticas oficiais sobre o número de igrejas evangélicas em Londres, há indícios de que o crescimento tem sido expressivo. A revista brasileira Leros tinha três páginas com anúncios religiosos há dois anos. Na edição deste mês, haverá dez páginas com esse tipo de propaganda. Uma outra denominação evangélica, a igreja Sara Nossa Terra acaba de chegar à cidade com a expectativa de também ter um crescimento rápido. Para o pastor Victor Adewole, um nigeriano que atuava em Porto Alegre até o início deste ano, a igreja deve oferecer aos fiéis não apenas conforto espiritual, mas também material. "Se alguém precisa de alguma coisa, não fala inglês, a gente ajuda. A gente conhece as melhores escolas e encaminha as pessoas para lá", conta. Como quase todas as igrejas brasileiras na cidade, a Sara Nossa Terra também prega o recolhimento de dízimo aos fiéis. "Pessoas que são de Deus falam sobre dízimo. É uma obediência ao Senhor. Eu acredito que as pessoas que amam a Deus têm que ser prósperas", diz ele. Ele nega, entretanto, que siga a doutrina do "é dando que se recebe". Universal Além das igrejas brasileiras que fazem cultos em português, também há um crescimento expressivo de outras com cultos em inglês. O caso mais bem-sucedido é o da Igreja Universal do Reino de Deus, conhecida em Londres como Universal Church of the Kingdom of God. O secretário-geral da entidade Churches Together in Britain and Ireland, David Goodbourn, diz que a Universal se classifica no grupo das igrejas que ele denomina de "Prosperity Churches", ou igrejas da prosperidade. De acordo com Goodbourn, a principal característica dessas igrejas é pregar que o sacrifício, inclusive financeiro, que o fiel oferecer à Igreja, retornará em bênçãos. Ele diz que essa característica é tipicamente brasileira e coreana, embora explique que há outras igrejas brasileiras em Londres que não seguem essa linha. Segundo Goodbourn, nos cultos em inglês, a freqüência de negros de origem caribenha e africanos é altíssima, representando até 70% do total de fiéis. Ao contrário da maioria dos grupos evangélicos brasileiros que alugam espaço em outras igrejas para fazerem seus cultos, a Universal comprou o Rainbow Theatre Park, até então uma das casas de show de rock mais tradicionais, no norte de Londres, pagando mais de 2 milhões de libras (aproximadamente R$ 10 milhões). Descrita por jornais como o Daily Telegraph como "cristã fundamentalista", a igreja, registrada como instituição filantrópica, teve que explicar à Charity Comission as remessas de quase 2 milhões de libras (R$ 10 milhões) feitas ao Brasil e a Portugal. A investigação terminou em março deste ano e, segundo a assessoria de imprensa da Charity Comission, a Universal comprovou ter usado o dinheiro em caridade. Procurada pela reportagem da BBC Brasil em Londres para falar sobre sua atuação no país, a assessoria de imprensa da igreja disse que não daria declarações. |
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