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Jessica Lynch vai contar sua história por US$ 1 milhão
A recruta americana Jessica Lynch assinou um contrato de US$ 1 milhão com uma editora de livros para contar a sua versão da história de seu resgate no Iraque. O resultado do acordo deverá ser o livro "Eu Sou Um Soldado, Também: A História de Jessica Lynch", escrito pelo jornalista Rick Bragg, que trabalhava no The New York Times e publicado pela editora Alfred A Knopf. O dinheiro deverá ser repartido entre Lynch e Bragg e a primeira edição - esperada para novembro - deverá ter 500 mil cópias. Lynch foi recebida com honras de herói nacional depois de ter sido "resgatada" de um hospital iraquiano, onde, segundo forças americanas, ela estaria sendo mantida à força. Imagens de tropas americanas resgatando a soldada - aparentemente ferida - de helicóptero foram exibidas em todos os Estados Unidos, transformando o caso em um dos grandes momentos patrióticos do conflito. Uma reportagem da BBC, no entanto, mostrou que as imagens haviam sido forjadas. Médicos do hospital entrevistados pela BBC negaram relatos de que Lynch estaria ferida a tiros ou a facadas. 'Dever' Embora a própria Lynch diga se lembrar pouco do que realmente ocorreu, ela afirmou que se acha no dever de dar a sua versão dos fatos. "Muitas pessoas escreveram, expressando o seu apoio a mim e a outros milhares de soldados que serviram ao país. Eu sinto que devo a eles esta história, que será sobre uma menina que vai para a guerra lutar ao lado dos seus companheiros. Será uma história sobre como é crescer nos Estados Unidos", diz Lynch, em um nota publicada pela editora Alfred A Knopf. Segundo os médicos entrevistados pela BBC, Lynch estava em um comboio militar que sofreu uma emboscada depois de tomar a estrada errada na cidade iraquiana de Nasiriyah. Os nove soldados que estavam com ela teriam morrido e Lynch foi levada para o hospital para ser tratada. "Eu a examinei, vi que ela tinha quebrado um braço, uma perna e um tornozelo. "Ela não tinha qualquer sinal de ter recebido um tiro ou qualquer ferimento de faca", disse à época o médico Harith a-Houssona, que cuidou dela, à BBC. Além disso, médicos iraquianos em Nasiryah afirmam ter fornecido à soldada a única cama especial no hospital e uma das duas únicas enfermeiras no andar. Uma investigação do Exército americano confirmou que Lynch havia sido ferida em uma emboscada, mas o Pentágono, no entanto, contestou a alegação feita pela reportagem da BBC de que o resgate havia sido encenado. De qualquer forma, para os americanos, prevaleceu a versão apresentada da soldada que, após ser esfaqueada, baleada e interrogada na cama de um hospital, foi resgatada de forma holywoodiana por seus colegas. De fato, a reportagem da BBC mostrou que as imagens foram feitas por jornalistas que acompanhavam as tropas e pelos próprios militares. Um médico entrevistado pela BBC defendeu o "resgate" como um show americano. Lynch foi condecorada com várias medalhas geralmente reservadas a soldados feridos em combate. |
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