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Atualizado às: 01 de setembro, 2003 - 03h05 GMT (00h05 Brasília)
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Grupos extremistas de direita voltam a pregar na África do Sul

Reverendo Smith diz que já tem mais de 30 congregações

A mensagem da supremacia da raça branca parece estar encontrando novos adeptos que se sentem inseguros com a nova democracia multiracial da África do Sul.

O reverendo Willie Smith, fundou a igreja da Lewende Hoop (Esperança Viva) há cinco anos e prega que os brancos sul-africanos são o povo escolhido por Deus.

Ele afirma que já tem mais de 30 congregações e milhares de seguidores em todo o país.

A maioria dos sul-africanos acha a mensagem da igreja de Smith profundamente ofensiva. Mas, para uma minoria, ela dá um certo amparo em um país que está mudando rapidamente.

Fazendeiros com medo

"Sabemos que somos o povo de Deus, ele nos proíbe de nos misturarmos com outras nações, de nos casarmos com outras nacionalidades, de viver no mesmo nível que eles. Vemos o atual governo como uma punição" (pelo abandono do regime de segregação conhecido como apartheid), diz o reverendo Smith.

Na bela e árida paisagem do Cabo Setentrional este tipo de pregação pode atrair gente.

Eu fiz uma viagem de carro pela área rural para entender o medo por trás destas idéias.

Como muitos dos seguidores da nova igreja, Johan Kisten, um criador de gado, é profundamente conservador e se sente cada vez mais ameaçado pela nova África do Sul.

Kisten se preocupa com o assassinato de centenas de fazendeiros brancos nos últimos anos - e acredita que a língua africâner está morrendo devagar.

Em maio, 22 africâners foram a julgamento, acusados de planejar uma série de ataques a bomba para derrubar o governo do Congresso Nacional Africano (ANC).

O reverendo Willie Smith disse que se ofereceu como líder espiritual dos acusados e não é surpreendente que o governo sul-africano esteja começando a tomar conhecimento das novas igrejas africâners.

Cachimbo da paz

No Cabo Setentrional, que fica ao norte da Cidade do Cabo e faz fronteira com o Oceano Atlântico, a Naníbia e Botswana, são problemas como a falta de empregos e serviços de saúde que preocupam os negros, não o ressurgimento do nacionalismo africâner.

Mas o prefeito da cidade de Kuruman, Emmanuel Kgopodithate, afirma que vai propor uma trégua aos grupos extremistas.

"Vou chamá-los para trabalhar conosco, lado a lado, e garantir que o país não se perca", diz o prefeito.

"Gostaríamos de discutir estes assuntos com eles e certificar a eles que seus futuros estão garantidos com o atual governo", conclui.

Os africâners fizeram muito para mudar o país, mas poucos continuam incomodados com as mudanças da última década, tentando voltar o relógio, enquanto o país se transforma rapidamente.

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