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Atualizado às: 26 de agosto, 2003 - 18h19 GMT (15h19 Brasília)
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Mulheres viram guerrilheiras para conquistar respeito na Libéria
Mulheres combatentes da Libéria
Black Diamond (de vermelho) perdeu os pais e foi estuprada

Black Diamond e suas colegas parecem ser um grupo normal de garotas de rua. Com uma grande diferença: essas mulheres da Libéria carregam pesados armamentos militares.

"Os morteiros são minha arma favorita", diz Black Diamond (diamante negro), líder de um grupo de combatentes rebeldes, os Comandos de Artilharia das Mulheres (WAC, sigla em inglês).

Até mesmo seus inimigos do governo admitem o poderio militar do grupo. "Ela é uma ótima combatente", disse Peter Paye, comandante de um batalhão na unidade antiterrorismo do governo. "Tenho muito respeito por ela."

Black Diamond, 22, conta que se juntou aos rebeldes após ter sido estuprada por um grupo de soldados leais ao ex-presidente Charles Taylor, em 1999.

Recrutamento

"Houve muitas razões (para entrar no grupo), mas essa foi a principal. Isso me fez querer lutar contra o homem que causou aquilo tudo, porque, se você é um bom líder, não pode se comportar assim", disse ela à agência Reuters.

Muitas das mulheres do grupo de Black Diamond contam histórias parecidas, enquanto outras foram recrutadas em campos de refugiados de Guiné e Serra Leoa.

Rebeldes armadas liberianas
Combatentes sentem-se mais respeitadas ao exibir armas

Uma delas, Musu Dukley, 28, disse ao diário britânico The Guardian que pensou em pegar em armas pela primeira vez ao ver uma mulher com uma metralhadora num filme de Hollywood.

"Ela era bonita. Descobri que, quando mostro minha arma, sou mais respeitada", afirmou.

Saques

No início deste mês, os WAC receberam ordens de controlar a onda de saques que tomou conta do porto de Monróvia, controlado pelos rebeldes do Lurd.

Black Diamond disparou para o alto para interromper um homem armado que saqueava após ele não ter obedecido suas ordens de largar a arma.

Ela, então, socou o homem - que tinha duas vezes o seu tamanho - no rosto, segundo relato da agência Associated Press.

O ministro da Saúde de Libéria, Peter Coleman, diz já ter encontrado muitas guerrilheiras em 14 anos de conflitos. Segundo ele, elas são altamente valorizadas por seus comandantes.

"Elas não ficam bêbadas e levam as missões muito a sério", disse. "Vi uma mulher atirar num outro oficial porque ele havia estuprado uma mulher."

Black Diamond acha que cresceu dentro da hierarquia dos rebeldes em parte em razão de sua experiência traumática.

"Se você tem raiva, fica valente. Você pode virar um mestre em tudo", diz ela.

Família

A combatente conta que seus pais foram mortos na guerra civil. "Não tenho mãe, nem pai, então não me importo. Deus é minha família agora."

Mas ela tem um bebê de dez meses - Small Diamond (pequeno diamante) - filho de outro comandante rebelde. Black Diamond carrega a foto da criança num envelope dentro do bolso.

"Estive na frente de batalha até o oitavo mês de gravidez. Deixei ela em Guiné. Não havia quem tomasse conta dela aqui. Mas vou trazê-la de volta agora que a guerra acabou", afirmou.

Black Diamond tem planos de deixar a vida de combates. "Conquistamos nosso objetivo: Taylor partiu. Agora quero ir para a escola."

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