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Grã-Bretanha facilita entrada de 'cérebros' brasileiros
O governo da Grã-Bretanha está flexibilizando os critérios do Highly Skilled Migrant Programme (Programa para Imigrantes Altamente Qualificados ou HSPM, na sigla em inglês), que distribui vistos de trabalho para estrangeiros no país, incluindo os brasileiros. A Grã-Bretanha tem uma carência crônica de médicos, enfermeiros e professores, mas o programa é aberto a profissionais de todas as áreas. O HSPM funciona com base em uma tabela de critérios que somam pontos. Para ser aprovado e receber o visto, o candidato tem que atingir um mínimo de 75 pontos. O programa avalia quatro quesitos principais: o nível de escolaridade, o tempo de experiência na carreira, a faixa salarial e também conquistas na área de atuação do candidato. A dificuldade de se alcançar os 75 pontos exigidos pelo programa provocou recentemente mudanças nos critérios do HSPM. Para brasileiros, a exigência de comprovação de salário anterior caiu praticamente pela metade, passando de R$ 9,2 mil mensais para R$ 4,6 mil mensais. Na nova faixa, a tabela para brasileiros fica assim: salários de mais R$ 4,6 mil valem 25 pontos; acima de R$ 11,5 mil valem 35 pontos e por volta de R$ 28,8 mil valem 50 pontos. "As pessoas que têm grandes chances de ser aprovadas são pessoas que, normalmente, não teriam muito interesse em se mudar dos seus países de origem", disse à BBC Brasil o advogado Gary Kelleher, da Kellerher & Associados, de Londres, que recebe cerca de 20 ligações diárias pedindo informações sobre o HSPM.
A novidade levou a dentista paulista Erika Nishikawa, de 31 anos, a considerar uma segunda tentativa. "Eu me candidatei em janeiro, mas não passei. Fiz uns 68 pontos e ainda teria que reconhecer o meu diploma em algum país da União Européia para poder trabalhar na Grã-Bretanha", disse a dentista, cujo salário atual, com a mudança nos critérios, já lhe garantiria 25 pontos. Em todo o mundo, mais de 2,9 mil pessoas já se inscreveram para o programa e cerca de 1,4 mil foram aprovadas. No entanto, para o advogado Alan Platt, da Barar Platt & Associados, em Londres, a principal barreira é o inglês. "Todos os nossos candidatos já tinham experiências de trabalho em um terceiro país. É muito difícil para um brasileiro que não tem o inglês como primeira língua ser aprovado se não for muito fluente", disse Platt, que já encaminhou seis inscrições ao ministério do Interior, das quais cinco foram aprovadas. Pontos O professor Cláudio Morais, de 30 anos, recém-chegado a Londres, pode ser um dos próximos candidatos ao programa. Interessado em trabalhar na Grã-Bretanha, inglês não seria o problema maior para ele, que dá aulas do idioma. "O meu salário de professor no Brasil é que pode dificultar a minha vida", contou Morais, que ainda pretende se informar melhor sobre o HSMP. Os indianos são a grande maioria dos inscritos, seguidos pelos americanos e nigerianos. No entanto, os americanos são os campeões em aprovações. Ainda assim, as altas exigências do HSPM sugerem que a Grã-Bretanha quer apenas a "nata" de outros países. "Esse programa permite que cientistas eminentes fixem as bases dos seus projetos de pesquisa aqui e deve incentivar mudanças de especialistas em finanças e negócios para a cidade de Londres", afirmou Jeffrey Rooker, secretário britânico para Nacionalidade e Imigração. |
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