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Mulher usada como 'cobaia' pelos nazistas quer indenização da Bayer
Zoe Polanska nunca imaginou que sobreviveria aos experimentos do doutor Mengele em Auschwitz. Nem os médicos alemães acreditavam nessa hipótese. Como outras milhares de crianças, o destino dela era ir para a câmara de gás depois que sua utilidade para a ciência nazista havia acabado. Durante dois anos no campo de concentração, Zoe, então com 13 anos, era forçada a tomar comprimidos como parte de vários experimentos farmacêuticos. Acredita-se que as experiências eram parte de uma tentativa de inicar um programa de controle de natalidade. Rússia Zoe se recusou a morrer. Salva por um médico russo que a levou para Dachau, ela se recuperou e emigrou para a Escócia. Com pouco mais de 70 anos, ela tem lutado por compensação e por um pedido de desculpas da fabricante de remédios Bayer. "Eu ainda tenho dificuldade em tomar aspirina", disse ela. "Recordo de um dos médicos segurando meu queixo e forçando as pílulas garganta abaixo. Ainda fico muito alerta quando vejo homens com jalecos brancos". Testemunhas mantidas no campo de Auschwitz dizem que o médico que a forçou a tomar pílulas trabalhava para a companhia farmacêutica Bayer quando ela fazia parte do conglomerado IG Farben. O nome do médico era Victor Capesius. É um nome que Zoe nunca irá esquecer. Ele ajudou Mengele a conduzir experimentos genéticos normalmente em crianças e também selecionou milhares de prisioneiros no imenso campo da morte, escolhendo os que poderiam ser úteis e enviando o resto para a morte imediata com uma marca em seu dedo. Capesius foi julgado em Frankfurt por crimes de guerra em 1963 e cumpriu pena na prisão. Outro antigo funcionário da Bayer, Helmut Vetter, trabalhou como médico em Auschwitz. Ele estava envolvido no teste de vacinas e remédios nos internos e, depois da guerra, acabou executado com uma injeção letal. Negação de culpa "Os campos de concentração foram usados por um laboratório enorme para experimentação humana", diz Wolfgang Eckhart, professor de história da medicina da Universidade de Heidelberg. "Temos que olhar sobre os campos como postos de pesquisa farmacêutica. Os nazistas queriam esterilizar a população do leste, especialmente os russos, mas permitiram que eles continuassem sendo úteis como trabalhadores", afirmou. A Bayer diz que a empresa que existe hoje não tem nada a ver com sua correpondente no tempo de guerra. "Entre 1925 e 1952, não existia nenhuma companhia chamada Bayer, nem como subsidiária da IG Farben nem sob nenhuma outra identidade legal", disse um porta-voz da companhia. "A Bayer tarbalhou de boa-fé com o governo alemão para estabelecer um fundo para ajudar os que sofreram. As contribuições da companhia para este fundo passaram de US$ 60 milhões (cerca de R$ 180 milhões)." Apesar de já se terem passado aproximadamente 60 anos desde o fim da Segunda Guerra Mundial, para sobreviventes como Zoe, as conseqüências da guerra se mantém tão vivas quanto estavam em janeiro de 1945 quando os judeus foram liberados de Auschwitz pelo exército russo. Depois da guerra, ela se casou na Escócia. Lá, enfrentou várias operações dolorosas para reparar os danos causados a seu corpo. Mas a mulher nunca pôde ter filhos. Agora, com câncer, ela é uma pessoas extraordinariamente positiva. Sua casa fica num subúrbio acostumado a ouvir gargalhadas e lágrimas de quando ela conta suas memórias. Quando eu viajei pela primeira vez para encontrá-la em junho de 2002, ela estava brava por ter sido ignorada por tanto tempo pelas autoridades que coordenam o fundo de compensação estabelecido pela indústria e pelo governo alemão. Ela fez campanha por 28 anos sem receber nada. "Eles querem que todos nós morramos para que não precisem dar o nosso dinheiro", afirmou ela. Semanas depois de terem sido contatadas pela BBC, as autoridades enviaram a Zoe um cheque de US$ 3 mil (aproximadamente R$ 9 mil) do fundo de compensação. "Quero ter a certeza de que se lembrem do que aconteceu com pessoas como eu quando eu era uma criança em Auschwitz", disse a judia. "Eu era apenas uma das milhares de crianças tratadas daquela maneira. Mas fui uma das poucas que tiveram a sorte de sobreviver." |
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