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Atualizado às: 14 de agosto, 2003 - 13h04 GMT (10h04 Brasília)
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Quenianas querem indenização de britânicos por estupro
Mulher queniana em veste tribal
Mulheres querem educação gratuita para filhos

Uma delegação de mulheres e crianças mestiças do Quênia apresentaram nesta quinta-feira duas petições ao Alto Comissariado Britânico em Nairóbi, em nome de centenas de supostas vítimas de estupro por soldados britânicos.

Dezenas de mulheres em vestes tribais coloridas se posicionaram do lado de fora do Alto Comissariado, cantando e agitando faixas.

Os supostos crimes, alguns deles ocorridos até 30 anos atrás, aconteceram na região central do Quênia, onde o Exército britânico faz exercícios de treinamento.

No total, cerca de 650 mulheres quenianas assinaram a petição. Elas dizem que foram atacadas por soldados britânicos. Muitas afirmam ter sido estupradas por grupos.

Responsabilidade financeira

"Olhe para sua pele", gritava uma mulher. "O pai dele é um soldado britânico que me estuprou."

Uma das petições é para que o governo britânico assuma a responsabilidade financeira pela educação das crianças mestiças, que freqüentemente são isoladas por suas comunidades.

A outra pede um inquérito independente dos casos de estupro pela Grã-Bretanha e pelo Quênia.

Existem suspeitas de que as mulheres comunicaram os ataques na época, mas nada foi feito nem pela polícia do Quênia nem pelas autoridades militares britânicas.

Desconfiança

Uma equipe da Polícia Real Militar do Reino Unido está atualmente no Quênia analisando casos onde há alguma prova em documento.

Foram descobertos relatórios de hospitais e da polícia com datas dos anos 70.

Mas as mulheres dizem não confiar no Exército para investigar a si próprio.

Uma delas, que se identificou apenas como Sophie, contou como o seu marido a expulsou depois que ela teve uma criança mestiça como resultado de estupro, segundo ela.

Sua própria família se recusou a ajudar e intimidava a menina com zombarias por ser "a branca".

Segundo relatos, as crianças sofreram com anos de estigmatização e dificuldades.

'Chocado'

A manifestação desta quinta-feira foi parcialmente organizada pelo advogado britânico das mulheres, Martyn Day.

"Eu fiquei chocado com as acusações, como qualquer outro, mas parece que realmente é um terrível capítulo na história do Exército britânico", disse Day ao programa Today, da BBC.

O advogado conseguiu ajuda da Grã-Bretanha para começar o processo por indenização do Ministério da Defesa para as mulheres.

No ano passado, Day conseguiu um acordo de US$ 7 milhões (cerca de R$ 21 milhões) com o Ministério da Defesa em outro caso, que envolvia vítimas de munições deixadas pelas tropas britânicas na área de treinamento do Quênia.

Há um sentimento generalizado de que os britânicos foram lentos em ouvir as reclamações dessas comunidades remotas.

Mas há a suspeita de que alguns moradores dos vilarejos estejam fazendo falsas acusações na esperança de receber uma parcela de qualquer indenização financeira futura.

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