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Mídia do Iraque floresce após queda de Saddam
Acredite ou não. Quando se anda de carro em Bagdá atualmente se pode ouvir o Serviço Mundial da BBC com toda a qualidade FM. É uma longa distância dos dias em que os iraquianos tentavam ouvir notícias em meio ao barulho dos serviços oferecidos pelo Estado. Concessionárias de rádio e TV brotaram em todo o país. Bagdá tem até mesmo cafés de internet, embora poucos iraquianos tenham recursos para freqüentá-los. Novos jornais aparecem todos os dias. Bagdá tinha 15 jornais antes da queda do regime de Saddam. Agora, são bem mais de cem. E eles parecem muito diferentes do que eram. 'Estranho' Nos escritórios do Habaz Booz, as máquinas estão imprimindo o último número da única revista satírica de Bagdá. Sob o antigo regime, a editora Ishtar el Yassiri nunca teria tido licença para produzir a publicação. "É um pouco estranho para mim, é claro. Estou escrevendo livremente. Não estou acostumada a isso. Todo mundo está escrevendo o que quer. É bom", diz ela. No passado, o partido controlava tudo. O retrato de Saddam Hussein tinha que aparecer em todas as primeiras páginas. Agora há fotos das tropas americanas nas ruas de Bagdá.
Na rua, no calor do sol, Julie Khan tenta vender assinaturas de seu jornal. E mesmo Julie, que se mudou do norte da Inglaterra para o Iraque há dez anos, acha tudo um pouco desconcertante. "É um pouco difícil de se adaptar a essa liberdade repentina. A idéia de democracia também é, para nós como comunidade, algo difícil de se adaptar." Agora, quase todos os setores da sociedade parecem ter uma voz. Isso, porém, tem um preço. Alguns vêem a liberdade como uma oportunidade de imprimir qualquer coisa. Houve, por exemplo, uma reportagem recente sobre os óculos dos soldados americanos que permitiam a visão através das roupas das mulheres! Jornalistas responsáveis Mas outras reportagens são mais perigosas. O jornal Al-Mustiqilla publicou um artigo pedindo que sejam mortos todos aqueles que colaborem com os americanos.
A chamada Autoridade Provisória da Coalizão (APC), que governa o Iraque, fechou o jornal. Não há censura, diz o porta-voz chefe da APC, Charles Heatley. "Quando há incitamentos claros, nós falamos com os responsáveis", afirmou. "Nos casos em que houve reportagens talvez um pouco perigosas, nós dissemos 'vamos ser jornalistas responsáveis'." "E, em um caso, o nível de incitamento foi tão aberto e tão perigoso que fomos forçados a fechar um jornal", disse o porta-voz. 'Liberdade caótica' No grandioso edifício da Associação dos Jornalistas Iraquianos, eu me encontro com Mohammed Hassan. Ele foi preso por dois anos por ter escrito um artigo em que criticava o antigo regime. Desse período, quatro meses ele passou em uma solitária, com autorização de sair de sua cela de 2 metros quadrados por apenas 15 minutos, durante uma semana. Hassan acredita que jornalistas e aqueles que estão governando o país precisam respeitar a nova liberdade. "Liberdade absoluta é quando jornalistas escrevem artigos sérios que servem aos interesses do povo. O que estamos vendo agora é o que eu chamo de liberdade caótica." "E alguns jornalistas estão enfrentando problemas com a coalizão por causa dos artigos que estão escrevendo", diz. Parabólicas Jornais, é claro, não são o único símbolo da nova liberdade de informação no Iraque. Os que podem compraram antenas parabólicas. Elas também eram ilegais no tempo de Saddam Hussein. Isso significa que os canais árabes de TV - bem como programas ocidentais - estão sendo transmitidos em cafés e residências no Iraque. É claro que que isso é bem-vindo pela maioria. Mas nem todo mundo está feliz.
Recentemente, o diretor da Iraqi Media Network, que é financiada pelos Estados Unidos, deixou o cargo. Ele reclamou que não tinha dinheiro suficiente para se contrapor ao que chamou de propaganda produzida por esses canais. Confiança "Penso que alguns canais árabes por satélite que as pessoas estão olhando não são isentos em suas reportagens. Eles tentam incitar os ânimos ao falar sobre a resistência à ocupação", diz Charles Heatley. Mas ele acrescenta que "o fato de que existam outros canais é um enorme avanço nesse país". No entanto, é discutível se os novos canais que estão sendo vistos em Bagdá são capazes de incitar a opinião pública, como argumenta Charles Heatley. Apesar da sede por informação, muitos por aqui dizem que, depois de anos de mentiras, ainda não confiam em ninguém. E certamente não em jornalistas. |
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