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Perfil: O mecânico sorridente que ajudou a matar 202 pessoas
Dono de um aparente bom humor, Amrozi Bin Nurhasyim passou a ser descrito por alguns como o "sorridente homem da bomba", desde sua prisão em novembro de 2002. Após receber a sentença de pena de morte, nesta quinta-feira, Bin Nurhasyim, um mecânico de 41 anos, ergueu os braços para cima em sinal de vitória e sorriu ao ser levado para fora do tribunal escoltado por policiais. Ele surpreendeu a polícia indonésia ao dizer que o alvo dos ataques a bomba eram americanos quando a ilha era muito mais visitada por australianos que turistas dos Estados Unidos. Amrozi Bin Nurhasyim nasceu em 1962 no vilarejo de Tenggulun, perto do litoral de Java. O quinto de 13 irmãos, ele cresceu como a "ovelha negra da família". Não queria saber de escola e mostrava-se mais interessado em motocicletas e garotas. A mãe de Bin Nurhasyim, Haji Tariyem, disse à BBC que o filho é um bom menino, e que no momento em que a bomba explodia em Bali, ele estava em casa cuidando do pai doente. Mas os moradores de Tenggulun contam que Bin Nurhasyim saiu de casa no final dos anos 80 para procurar trabalho na Malásia. De acordo com esses relatos, ele retornou em 1991, muito mais forte em sua fé islâmica. Segundo a polícia, uma vez na Malásia, ele se juntou ao irmão mais velho, Mukhlas, um homem profundamente religioso que também está sendo processado em conexão com os atentados de Bali. Amrozi diz que o irmão era uma inspiração para ele. Ainda de acordo com policiais, quando Mukhlas retornou para Tenggulun, ele passou a se engajar ainda mais nos trabalhos de uma escola muçulmana, Al Islam, fundada por alguns de seus outros irmãos. A escola, com regime de internato, tem cerca de 150 estudantes que seguem um currículo estritamente religioso. Há relatos de que Amrozi teria admitido ter se encontrado com o pregador islâmico Abu Bakar Ba'asyr em várias ocasiões enquanto o clérigo vivia na Malásia e – no final dos anos 90 – quando convidado pelos irmãos Bin Nurhasyim para dar palestras no seminário. Bakar Ba'asyr também está sendo processado por envolvimento em outros ataques a bomba na Indonésia. Ele é considerado o fundador e líder espiritual do movimento Jemmah Islamiah, ao qual se atribui uma série de atentados realizados no Sudeste Asiático. Amrozi provocou revolta em familiares das vítimas dos ataques de Bali ao declarar a órgãos de imprensa em novembro passado que estava "muito feliz" com os atentados. "Não existe arrependimento para ele. Ele acredita estar prestando um serviço a Alá. Ele está muito calmo, muito tranqüilo... orgulhoso de suas atividades", disse o chefe da investigação, general I Made Mangku Pastika. Pastika disse ainda que o único arrependimento de Amrozi é o fato de a maioria das vítimas ter sido australianos e não americanos. Em uma aparição atrás das grades para jornalistas, Amrozi entoou uma canção cujo texto pedia a continuação da guerra santa. "Livrem-se de sionistas, livrem-se da sujeira cristã, este é meu canto", disse sorrindo. |
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