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Atualizado às: 31 de julho, 2003 - 03h50 GMT (00h50 Brasília)
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Irlandeses presos na Colômbia alegam inocência

Irlandeses presos na Colômbia
Os três irlandeses disseram ter “experiência” em processos de paz

Os três irlandeses acusados pela promotoria de Justiça da Colômbia de ter usado documentos falsos e treinado grupos armados ilegais no país se declararam inocentes nesta quarta-feira.

Niall Connolly, James Monaghan e Martin McCauley foram levados pela primeira vez ao tribunal onde estão sendo julgados, em Bogotá.

Os três disseram ter visitado a ex-zona desmilitarizada no país e ter conversado com membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), para saber mais sobre o processo de paz entre o grupo e o governo do ex-presidente Andrés Pastrana, entre 1999 e 2002.

“Nós três temos experiência em processos de paz que ocorreram em algumas regiões, como na América Central. Por isso viajamos à Colômbia, para saber em detalhes como iam as reuniões entre o governo e os rebeldes, com o objetivo de dar algumas idéias”, disse McCauley durante a sessão.

Provas fictícias

Segundo os três irlandesas, suas visitas à zona desmilitarizada foram como outras realizadas por membros de várias organizações e políticos durante as negociações de paz.

Eles disseram que as acusações contra eles são todas “baseadas em provas fictícias apresentadas pelas embaixadas dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha para debilitar os processos de paz na Irlanda e na Colômbia”.

O promotor Carlos Sánchez disse nesta segunda-feira durante o julgamento que os irlandeses são membros do Exército Republicano Irlandês (IRA, na sigla em inglês) e viajaram à zona de distensão para treinar membros das Farc no manejo de explosivos.

Segundo Sánchez, “as provas determinam que, efetivamente, (eles) estavam treinando pessoal das Farc”.

A promotoria baseia seu trabalho no depoimento de vários guerrilheiros, que reconheceram os irlandeses como sendo seus instrutores em táticas de combate, e também em informes de inteligência das autoridades colombianas.

Caso sejam considerados culpados, os réus poderão ser condenados a até 20 anos de prisão pelo crime de treinamento de grupos armados, e a até oito anos, por uso de documentos falsos.

Professores de inglês

O general Jorge Mora, comandante das Forças Armadas colombianas, disse que os três irlandeses “estavam treinando bandidos no uso de explosivos e, agora, estão inventando essa história de que estavam ensinando inglês”.

Connolly, Monaghan e McCauley foram presos em 11 de agosto de 2001 no aeroporto El Dorado, em Bogotá, quando voltavam de San Vicente del Caguán, principal centro das fracassadas negociações de paz entre Pastrana e as Farc.

As negociações foram abandonadas no dia 20 de fevereiro de 2002, depois de os rebeldes cometerem vários atos de violência e seqüestros.

O atual presidente colombiano, Álvaro Uribe, iniciou uma intensa luta contra os grupos armados ilegais, seguindo a “política de segurança democrática” que adotou.

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