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Atualizado às: 29 de julho, 2003 - 00h41 GMT (21h41 Brasília)
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Maluf recorre na Suíça e retarda investigação

O ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf
Para promotor. recurso de Maluf, que diz não ter conta no exterior, é contraditório

O recurso do ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf impedindo o envio de documentos sobre suas contas na Suíça às autoridades brasileiras deve atrasar o andamento do processo contra ele na Justiça do Brasil em pelo menos sete a oito meses.

A Justiça suíça acatou nesta segunda-feira o recurso do ex-prefeito, evitando que os dados sobre suas movimentações financeiras no país sejam enviados à Justiça brasileira.

O promotor Silvio Marques, da Promotoria da Cidadania de São Paulo, disse que os documentos poderiam concluir rapidamente a investigação que se arrasta desde 2001 sobre o destino dos recursos que Maluf teria desviado de obras superfaturadas quando era prefeito de São Paulo (1992-1996).

“Já estamos na etapa final. Esses documentos poderiam esclarecer toda a movimentação de recursos”, afirmou Marques.

O promotor também vai enviar, até sexta-feira, uma carta rogatória (pedido de troca de informações entre os Judiciários de dois países) à Justiça francesa.

Ele disse que não foi a Justiça brasileira que pediu a investigação da conta do Crédit Agricole, de Paris.

Até porque ele nem sabia da existência dessa conta até a semana passada, quando Maluf foi convocado a prestar esclarecimentos na França.

“Acredito que foi a Justiça suíça que pediu o bloqueio na França”, afirmou.

Isso mostra, segundo Marques, que a investigação sobre os recursos movimentados por Paulo Maluf é internacional, e independente do Brasil.

Atualmente, o ex-prefeito está sendo investigado em cinco países: Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, França e Suíça.

No Brasil são duas investigações. Uma civil, pelo Ministério Público estadual, que pode resultar no pedido de devolução dos recursos já comprovadamente superfaturados de obras na cidade de São Paulo.

A outra é criminal, levada adiante pelo Ministério Público Federal, por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes.

O promotor Marques acredita, no entanto, que a Justiça suíça vai acabar liberando os documentos quando o processo for julgado.

Contradição

“Embora o Maluf diga que não tem contas no exterior, ele decidiu recorrer. É contraditório. Se ele não tem contas no exterior, por que recorreu?”, questionou o promotor.

Marques disse que a investigação sobre Paulo Maluf é a segunda maior investigação de desvio de recursos e lavagem de dinheiro do mundo, depois do caso do ex-ditador nigeriano Sani Abacha, que também teve suas contas suíças congeladas em 1999.

Também estão bloqueados cerca de US$ 200 milhões do ex-prefeito na Ilha de Jersey, paraíso fiscal britânico no Canal da Mancha.

O Ministério Público já tem provas, segundo Marques, de que o dinheiro que saía de São Paulo seguia para Foz de Iguaçu, depois para o Banestado de Nova York e depois era enviado para Genebra.

São esses recursos de Genebra que, suspeita-se, estariam na conta bloqueada de Paris.

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