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ONG acusa militares de participar de massacre na Nigéria
Policiais e soldados nigerianos participaram da violência que levou à morte de 220 pessoas na Nigéria em novembro do ano passado, de acordo com um relatório da organização Human Rights Watch. As mortes ocorreram em meio a confrontos entre cristãos e muçulmanos, por causa de divergências dos dois grupos religiosos em relação ao concurso Miss Mundo, que seria realizado no distrito de Kaduna - mas foi cancelado por causa da violência. No documento de 32 páginas divulgado nesta terça-feira, a organização reproduz as versões de testemunhas que contam ter visto policiais e soldados matarem pessoas "a sangue frio" na operação lançada para restaurar a ordem em Kaduna. "Não só as forças de segurança não conseguiram intervir nos primeiros sinais de violência. Assim que foram mobilizadas, elas contribuíram significativamente para a violência ao matar e ferir pessoas que não representavam uma ameaça à segurança", afirma a Human Rights Watch. Execução Em uma das situações citadas, policiais e soldados teriam amarrado oito homens uns aos outros e executado todos em um depósito de lixo. Segundo a organização, até hoje - oito meses depois - as autoridades nigerianas não levaram à Justiça nenhum dos suspeitos de envolvimento no massacre. A polícia diz estar investigando alguns casos, mas, segundo a Human Rights Watch, os poucos policiais que chegaram a ser presos foram soltos dias depois e testemunhas que se dispõem a colaborar seriam intimidadas e ameaçadas. Segundo o documento, a impunidade é geral. "Assim como as forças de segurança, as pessoas que organizaram e participaram dos ataques não foram levadas à Justiça", afirmou o diretor-executivo Human Rights Watch para a África, Peter Tarikambude. Na avaliação da organização, a violência em Kaduna foi mais política do que religiosa e está ligada a antigas disputas. O relatório cita os choques de três anos atrás, quando 2 mil pessoas foram mortas e, confrontos por causa da introdução da sharia, a lei islâmica. "O Miss Mundo foi só o gatilho. Mais cedo ou mais trade, a violência em kaduna estouraria novamente porque o governo nunca lidou de forma satisfatória com as tensões que causaram tamanha perda de vida em 2000", afirmou Takirambuke. A organização sugere, entre outras coisas, que o governo tente prevenir novios confrontos fomentando o di[alogo entre muçulmanos e cristãos e que investigue civis e membros da força de segurança suspeitos de envolvimento no massacre. No caso de policiais e soldados, a organização sustenta que todos os suspeitos devem ser afastados de suas funções até a conclusão das investigações. |
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