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Grã-Bretanha: 70% dos bandidos usam armas de brinquedo
No início do mês passado, Keith Larkins, um desempregado britânico de 33 anos, apontou uma arma na direção dos policiais que o perseguiam e apertou o gatilho. Os policiais reagiram e Larkins foi atingido no peito, no abdômen e morreu. A arma que ele disparou, no entanto, era uma réplica e os tiros, de espoleta. De acordo com a polícia, crimes a mão armada com armas falsas ou modificadas já correspondem a cerca de 70% dos casos na Grã-Bretanha. Para aqueles que defendem as rígidas leis de controle de armas no país, os levantamentos provam que a proibição de armas de calibre acima de 22 funciona. Estatísticas "A nossa prioridade hoje é regulamentar a venda de imitações de armas, que podem ser usadas só para assustar ou, se forem adaptadas, até para ferir e matar", afirmou Gill Marshall-Andrews, presidente da Gun Control Network (GCN, na sigla em inglês), uma ONG que milita pela restrição de armas de fogo. O governo britânico está estudando um projeto de lei que aumenta de 14 para 17 anos a idade mínima para comprar armas de ar comprimido e que proíbe o uso dessas armas e de réplicas em locais públicos. Se forem aprovadas, as mudanças podem entrar em vigor já no segundo semestre. O Ministério do Interior chegou a preparar um projeto de lei proibindo a venda e o porte de armas de brinquedo no ano passado, mas diante da polêmica que o tema causou, acabou o deixando o texto na gaveta. O projeto prevê penas de até cinco anos de prisão para quem for flagrado portando uma réplica em um local público. "Querem usar as armas de brinquedo como bode expiatório para o fracasso da legislação que proíbe armas de fogo, mas não conseguiu diminuir o crime", ataca Colin Greenwood, ex-policial autor do livro Guns and Violence the British Experience (em tradução livre: "Armas e Violência A Experiência britânica"). No fogo cruzado das armas de brinquedo, o prefeito de Londres, Ken Livingstone, combate ao lado dos que pedem mais restrições. "Faço um apelo pela proibição total da importação, venda e produção de qualquer coisa que tenha a aparência de uma arma de fogo ou que possa ser adaptada para funcionar como arma de fogo", disse Livingstone, em maio, em um comunicado da Prefeitura. Pressão Quando o prefeito fala em "qualquer coisa que tenha aparência de arma de fogo", se refere também às armas de ar comprimido e de chumbinho, que podem ser consideradas um capítulo à parte. Esse tipo de arma foi usado em nada menos que 12.340 dos crimes registrados entre 2001 e 2002 um aumento de 21% em relação ao período anterior.
Como atenuante, pode-se argumentar que o vandalismo com armas de ar comprimido responde por 77% dessas infrações. Para os fãs de jogos como paintball (que utiliza armas de pressão para disparar projéteis de tinta), a ameaça de proibição pode significar o fim ou, pelo menos, um grande obstáculo ao seu jogo. Por outro lado, há quem acredite que só as suspeitas de que mais de 70% dos crimes a mão armada utilizam armas de brinquedo provam que a proibição das armas de verdade está funcionando bem. "Se os criminosos tivessem acesso a armas de verdade, não teriam que se dar o trabalho de adaptar armas de brinquedo, de chumbinho e réplicas", diz o professor Peter Squires, da Universidade de Brighton, e autor do livro Gun Culture or Gun Control? (em tradução livre: Cultura Armamentista ou Controle de Armas?). "Para combater este novo problema, a questão é definir, entre as armas de brinquedo, o que pode ser considerado perigoso." |
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