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Atualizado em: 16 de julho, 2003 - 11h35 GMT (08h35 Brasília)
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Voluntários buscam mortos da guerra civil espanhola

guerra civil espanhola
A guerra civil espanhola durou de 1936 a1939

Dezenas de jovens estão desembarcando neste mês na Espanha para ajudar na recuperação de corpos de combatentes da guerra civil espanhola (1936-1939).

Cerca de 50 voluntários de países como Canadá, Grã-Bretanha, Holanda, Finlândia, Irlanda e República Checa foram recrutados pela ONG Sociedade Civil Internacional.

O trabalho consiste em ajudar arqueólogos espanhóis a encontrar e identificar as ossadas das vítimas em três localidades diferentes.

Duas equipes começaram nesta semana as escavações em Valdediós, um pequeno povoado na província de Astúrias, no norte da Espanha, e em Badajoz, no oeste do país.

Choque

Um outro grupo encerrou os trabalhos no fim de semana passado no município de La Horra, na província de Burgos. No local, foram encontrados esqueletos de 22 pessoas.

Muitos voluntários estão resgatando uma parte importante da história recente da Espanha sem saber ao certo o que ocorreu naquele período.

“Não conhecia bem a história da guerra civil espanhola e nunca imaginei que tivesse ocorrido tantos assassinatos”, afirma Maris Fonseca, de 36 anos, nascida em Cabo Verde, voluntária do grupo de Valdediós.

“Fiquei muito chocada”.

Maris soube do trabalho que começaria a ser feito na Espanha quando servia em uma ONG sobre direitos humanos na Guatemala.

“Fiquei interessada em colaborar com o projeto pela importância que isso representa para os familiares, que nunca puderam enterrar seus mortos”.

Republicanos fuzilados

Os corpos foram depositados em valas comuns, sem nenhum marco de localização.

São principalmente de republicanos fuzilados pelo exército do general Francisco Franco, que tomou o poder depois da guerra civil e governou o país até sua morte, em 1975.

Os historiadores estimam que entre 30 mil e 35 mil pessoas foram mortas e enterradas nessas valas durante a guerra civil em toda a Espanha.

O conflito resultou, no total, em cerca de um milhão de pessoas assassinadas, torturadas e exiladas.

Investigação

O trabalho de recuperação das ossadas teve início em outubro de 2000, quando o jornalista Emilio Silva começou uma busca para saber o paradeiro dos restos de seu avô, fuzilado em outubro de 1936 na região de León, no norte do país.

Depois de muita investigação, Silva descobriu o local onde seu avô estava enterrado. Com ajuda de arqueólogos, recuperou o corpo.

O jornalista passou a ser procurado por pessoas que, como ele, queriam encontrar o destino de seus familiares assassinados.

Fundou então a Associação pela Recuperação da Memória Histórica e passou a dedicar-se a causa.

Nesses três anos, os trabalhos da associação resultaram na descoberta de cerca de 150 corpos em 40 valas em toda a Espanha.

Voluntariado

A mão-de-obra voluntária começou a trabalhar nas escavações no verão do ano passado, num trabalho conjunto entre a associação e a Sociedade Civil Internacional.

Além de colaborar com o trabalho pesado, os voluntários estrangeiros ajudam a divulgar a causa em outros países.

“É claro que é preciso gente para ajudar nas escavações, mas isso poderia ser feito com voluntários espanhóis".

Recrutamos gente de fora para que as pessoas saibam o que aconteceu na Espanha”, explica Marisa Montero, diretora da Associação pela Recuperação da Memória Histórica

“Todos sabem o que aconteceu durante as ditaduras no Chile e na Argentina, por exemplo, mas não sabem a carnificina feita pelos franquistas. É preciso contar nossa história”, acrescenta.

Memória

Os voluntários foram recrutados pelos escritórios da Sociedade Civil Internacional de seus respectivos países.

Muitos já participaram de atividades semelhantes, porém de guerras mais recentes, como a de Kosovo.

Eles pagam a passagem do próprio bolso e recebem comida e alojamento, geralmente em escolas ou prédios públicos dos municípios.

Para localizar os cadáveres, os historiadores e arqueólogos contam com documentos da época e a memória dos moradores das imediações das fossas.

Os mais idosos se lembram das execuções ocorridas.

Alguns inclusive foram obrigados a ajudar a enterrar os mortos. Outros ouviram histórias da boca de parentes e amigos.

“Os espanhóis sofreram uma repressão duríssima por mais de 40 anos. Havia uma cultura do esquecimento sobre o tema. Por isso esse trabalho só está sendo feito agora”, explica Marisa Montero.

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