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Famílias homenageiam vítimas do massacre de Srebrenica
O primeiro-ministro da República Sérvia da Bósnia, Dragan Mikerevic, participou pela primeira vez das cerimônias em memória do massacre de muçulmanos em Srebrenica. Mikerevic disse às 20 mil pessoas que se juntaram para lembrar o oitavo aniversário da atrocidade que era hora de falar sobre o passado. Antes, o governo bósnio-sérvio questionava até se o massacre realmente havia acontecido. Serviços de funeral para aproximadamente 300 vítimas ocorreram nesta sexta-feira como parte do evento. Restos mortais Pessoas choraram e tocaram os caixões contendo restos mortais que foram trazidos de valas comuns para Srebrenica. O massacre foi o pior da Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Aproximadamente 8 mil muçulmanos, a maioria homens e meninos, foram cruelmente mortos por soldados sérvios que, em 1995, assumiram o controle da cidade no leste da Bósnia. O local estava sendo controlado pela ONU até então. Os corpos das vítimas foram jogados em valas comuns na região. As cerimônias de sexta-feira ocorreram em um campo no subúrbio da cidade, onde ficavam mulheres e crianças separados dos homens e rapazes adolescentes pelas forças sérvias. "Chegou a hora de falar o que aconteceu nesta área", disse Mikerevic. Revolta Parentes de vítimas estão revoltados com uma decisão da corte máxima de direitos humanos do país, que negou quase 2 mil pedidos de indenização. A associação Mães de Srebrenica descreveu a decisão como "humilhante". Em março deste ano, o tribunal ordenou as autoridades sérvias a pagar US$ 2 milhões (aproximadamente R$ 6 milhões) a 40 parentes de vítimas e os outros também esperavam que seus pedidos fossem atendidos. Entretanto, o tribunal agora disse que os primeiros casos deveriam representar todos, e que ninguém mais receberia dinheiro algum. Os parentes reclamam que os casos deveriam todos serem tratados de maneiras distintas. Caminhões refrigerados O cemitério onde ocorreu a cerimônia foi aberto no começo deste ano, com os restos mortais de 600 pessoas que puderem ser identificadas. Os 282 novos corpos foram trazidos em caminhões refrigerados de um necrotério. "O túmulo em Srebrenica será a única coisa que restou do meu filho", disse Husein Pitarevic, que perdeu um filho de 14 anos no massacre. Até agora, os corpos de 5 mil pessoas foram exumados e aproximadamente 1,6 mil, identificados. Apenas uma pequena parte dos 27 mil muçulmanos que viviam na cidade retornou depois da guerra e esses reclamam ter sofrido ameaças verbais do sérvios. O massacre é uma das maiores acusações contra os líderes do país nos tempos de guerra, Radovan Karadzic e Ratko Mladic. |
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