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Atualizado em: 10 de julho, 2003 - 20h24 GMT (17h24 Brasília)
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Banco tenta atrair muçulmanos com casa própria 'sem juros'

Muçulmanos
Lei islâmica condena a cobrança de juros

O HSBC deve se tornar na próxima semana o primeiro banco de varejo na Grã-Bretanha a oferecer um esquema de financiamento halam, ou seja, que respeita os preceitos da sharia, a lei islâmica.

O banco quer entrar em um nicho ainda pouco explorado de um mercado que já movimenta cerca de US$ 250 bilhões por ano e que literalmente triplica a cada ano.

O principal público que o banco pretende atingir são os muçulmanos que não têm dinheiro para comprar a casa própria mas se recusam a entrar em um esquema de financiamento que vá contra a sua religião.

É que os financiamentos convencionais se baseiam na cobrança de juros - o que é proibido na lei islâmica.

Leasing

O esquema do HSBC é feito como um leasing, um tipo de aluguel, o que não é condenado na lei islâmica. O banco compra a casa, tornando-se proprietário do imóvel, e o cliente vira o inquilino.

Como a lei islâmica não permite que o banco cobre para emprestar dinheiro, o banco precisa estar diretamente envolvido na transação. No esquema do HSBC, por exemplo, o banco se envolve diretamente na transação ao comprar a casa no seu nome.

Em um período de, por exemplo, 25 anos, o cliente paga parcelas mensais pelo uso da propriedade (o aluguel) mais, é claro, o lucro do banco.

"Nós estabelecemos um pagamento mensal no qual incluímos o custo que o banco tem para levantar os fundos (para comprar a casa) e a nossa margem de lucro", explica Noan Hassan, chefe da seção Amanah (Honestidade em árabe), do HSBC na Grã-Bretanha.

Assim como o HSBC, outros bancos comerciais, como o Citibank, mantêm divisões que desenvolvem produtos especialmente para o público islâmico.

Procura em alta

Apenas na Grã-Bretanha, a comunidade islâmica tem cerca de 1,8 milhão de pessoas e os serviços financeiros halam já disponíveis movimentam cerca de US$ 9,2 bilhões.

Samih Ramadan, da associação islâmica Al-Muntadaf Al Islami Trust, diz que a associação incentiva o financiamento islâmico e reconhece que a procura por formas de comprar a casa própria ou abrir o negócio é cada vez maior.

Mas nem todos aprovam as atualizações da aplicação da sharia. Abdul Daly, do Centro Social Islâmico, acredita que a forma de empréstimo mais fiel à lei islâmica consiste em uma pessoa pedir dinheiro a familiares e amigos, que estejam dispostos a emprestar sem cobrar juros.

"É e como ter uma loja halal e vender vinho", diz Daly, comparando os novos esquemas de financiamento com a prática de alguns muçulmanos de vender vinho, que é proibido no Islã, ao lado de alimentos que seguem os preceitos da lei islâmica.

O muçulmano Mahmoud Butt é um exemplo do cliente que o HSBC quer atrair para o seu novo esquema. Mahmoud não tem casa própria porque não quer entrar num esquema de financiamento que viole a sharia. "Prefiro pagar aluguel", diz Mahmoud, que mostra interesse quando é informado do novo esquema.

Também muçulmano, o advogado Hisham Puri não demonstra o mesmo entusiasmo. "Não deixo de fazer financiamento por causa da minha religião."

Puri diz que poderia aderir a um financiamento halam, desde que não fosse mais caro do que os convencionais.

É por causa de casos como o de Puri, que analistas como Shaseeq Siddiqui - da Associação Islâmica de Bancos e Seguros - dizem que, a menos que o financiamento islâmico se torne tão competitivo quanto o convencional, ele tende a ficar limitado a um grupo pequeno de "puristas islâmicos".

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