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Atualizado em: 09 de julho, 2003 - 13h38 GMT (10h38 Brasília)
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Alemanha tenta promover imagem de 'país sexy'

Claudia Schiffer e Boris Becker
Claudia Schiffer e Boris Becker são exemplos da 'Alemanha sexy'

A Alemanha está começando uma série de campanhas para melhorar a sua imagem no exterior, buscando substituir os intratáveis esterótipos de nazistas e turistas que roubam cadeiras de sol nas férias por um retrato mais relaxado, atualizado e mesmo erótico de seu povo e sua língua.

Depois da ferida provocada pelo primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi - que, na semana passada, comparou um político alemão a um nazista -, nesta semana, um funcionário do governo italiano descreveu os alemães como "loiros uniformizados supernacionalistas" que "invadem ruidosamente" as praias da Itália a cada verão.

As observações de Berlusconi e seu assessor, Stefano Stefani, encontraram desprezo generalizado.

Mas atingiram um nervo entre os alemães porque foram feitas em um momento em que o país está tentando se livrar de percepções que, para eles, não têm nada, ou muito pouco, a ver com a realidade da Alemanha no século 21.

Linguagem erótica

Autoridades culturais alemãs querem chamar atenção para imagens de jovens seminuas e flexíveis dançando no festival de música techno, a Parada do Amor, e para celebridades, como a supermodelo Claudia Schiffer, e heróis esportivos, como o ex-jogador de futebol Juergen Klinsmann e o ex-jogador de tênis Boris Becker.

Na semana passada, o Instituto Goethe de Londres organizou uma sessão de debate com representantes culturais e de empresas na esperança de chegar a uma nova "marca" para a Alemanha.

"Descobrimos que seria muito difícil mudar a marca da Alemanha, pois muitas das imagens associadas ao país estão muito arraigadas", disse o presidente da conferência, Ulrich Sacker.

"Mas decidimos que temos que começar a enfatizar aspectos atuais da vida na Alemanha que são ignorados, como o hedonismo da Parada do Amor, o fato de termos dias de trabalho curto, que temos as férias mais longas da Europa..."

Estereótipos

O problema da percepção é visto como especialmente ruim na Grã-Bretanha, onde as televisões estão abarrotadas de documentários sobre nazistas e o holocausto - tópicos que também formam a base do currículo de história nas escolas britânicas.

Esses estereótipos tiveram impacto sobre turismo, exportações, indústria, assim como investimentos, segundo o embaixador da Alemanha em Londres.

"Também temos enormes problemas com a percepção aqui", diz Barbara Malchow, do Instituo Goethe em Paris.

"O passado nazista não tem um papel tão grande entre as impressões dos franceses, como acontece na Grã-Bretanha, embora seja uma questão. O problema chave que estamos descobrindo é que não há muito interesse na Alemanha ou em aprender alemão."

Sexy

A campanha que está sendo lançada na França foi preparada para estimular jovens franceses a pensar na Alemanha como sexy.

Sob o sugestivo tema "Existe Tanto que Podemos Fazer Juntos", os anúncios dão uma idéia de que franceses e alemães estão ligados em muitos níveis.

"Mostram o lado prático de nosso relacionamento, mas também perspectivas mais eróticas e aspectos mais eróticos", diz Malchow.

O Instituto Goethe na França também tem esperança de usar Schiffer, Klinsmann e Becker para ajudar.

No ano que vem, outras campanhas serão iniciadas no Leste Europeu, onde se admite, de forma ampla, que as memórias do passado morrem com dificuldade.

"Vai ser difícil na Polônia", reconhece uma autoridade do setor cultural.

"Teremos que descobrir se a atitude sexy e engraçada dessas outras campanhas é apropriada lá."

Logotipo

Na semana passada, a Alemanha se livrou do logotipo da Luftwaffe do avião usado pelo chanceler alemão, Gerhard Schröder, e por outras graduadas autoridades alemãs.

A Luftwaffe reduziu a destroços cidades como Varsóvia, durante a 2ª Guerra Mundial, e acredita-se que a presença do logotipo no avião levou a mais do que poucas caras feias em viagens ao leste.

Mas alguns especialistas alemães em imagem se perguntam se o seu país não está levando a sério demais a questão da própria imagem.

"A obsessão em como outros países nos vêem parece ter mais a ver com a maneira pela qual nos vemos do que com qualquer outra coisa", diz Andreas Schneider, da agência de propaganda BBN, que vende produtos alemães no exterior.

Trabalhadores

"As más condições econômicas significam que temos um pouco de problemas de auto-confiança no momento", acrescentou.

"Talvez seja por isso que ficamos tão chateados com esses comentários ridículos dos italianos. Eles não merecem a atenção que estão recebendo."

Schneider também lembrou que muitos dos estereótipos alemães - como a de alguém que trabalha duro, de um empregado brutalmente eficiente, e que o Instituto Goethe indicou que pode desaparecer - trabalham a favor do país, embora não se enquadrem mais na realidade.

"Os italianos, por exemplo, têm que lidar com todos os tipos de estereótipos como os de que são inconfiáveis, até preguiçosos, completamente o oposto da impressão que as pessoas têm da Alemanha", disse.

"E, certamente, se você tiver uma empresa, não é difícil dizer qual estereótipo você prefere receber, não é?"

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