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Eleição no México mostra crise do modelo liberal, dizem analistas
A derrota do partido governista do México nas eleições parlamentares deste domingo é uma mostra do cansaço do modelo econômico adotado no país e em boa parte da América Latina na última década. Esta é a interpretação do cientista político Francisco Panizza, da London School of Economics and Political Science. O especialista em América Latina Félix Sanchez, da PUC de São Paulo, concorda. Para Sanchez, a baixa votação registrada pelo PAN (Partido de Ação Nacional), o partido do presidente mexicano, Vicente Fox, indica uma decepção com as políticas de privatizações, abertura de mercado e outras medidas de cunho liberal que Fox vem tentando implementar no país. Tanto Sanchez como Panizza acreditam que o resultado das eleições mexicanas faz parte de um contexto de insatisfação popular em toda a região. Para Panizza, a vitória de Lula e de Néstor Kirchner, na Argentina, também simbolizariam uma busca por uma "alternativa que dê conta de alguns dos problemas que não têm sido resolvidos pelo atual modelo". Limites Sanchez concorda que as populações de Brasil e México impuseram uma virada nas urnas, mas estabelece limites nos paralelos entre os dois países. "Lula expressa um movimento de questionamento de vários pontos importantes dessa ordem que Fox na verdade está apoiando e defendendo", afirma Sanchez. Mas os dois especialistas acreditam que a situação no México deve ficar mais complicada daqui para frente, fazendo com que Fox tenha ainda mais dificuldade para emplacar a sua agenda de reformas. "Vai ser muito dificil para Fox introduzir, no que resta do seu mandato, reformas que não tenham apoio de outros partidos ou que sejam eleitoralmente perigosas para os outros partidos." "Fox vai ser forçado a negociar mais com a oposição", concorda o historiador Rafael Campos Sanchez, titular da cadeira de estudos do México Contemporâneo do Colégio de Estudos Latinoamericanos da Universidade Nacional Autônoma do México. Campos Sanchez, no entanto, diz que embora muito popular, Fox tem se mostrado um negociador pouco habilidoso nos últimos três anos. Pequeno PT Apesar da vitória do PRI, que não só conquistou o maior número de cadeiras como deu o troco pelas eleições de 2000 (quando Fox rompeu o reinado de 71 anos do partido), Francisco Panizza diz que o principal vencedor das eleições de domingo foi o pequeno do Partido da Revolução Democrática, o PRD. Com um programa similar ao do Partido dos Trabalhadores brasileiro , o PRD é o principal partido de esquerda mexicano. O principal líder do partido é o prefeito da Cidade do México e presidenciável Andres Lopez Obrador. Panizza ressalta que embora Obrador não seja favorito para as próximas eleições presidenciais de 2006, ele é um candidato forte em um contexto no qual "nem o PAN nem o PRI têm candidatos fortes". |
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