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Uganda é modelo de combate à Aids na África
O modelo proposto pelos Estados Unidos para combater a Aids se baseia na experiência de Uganda, a quarta parada da turnê do presidente George W. Bush pela África. Uganda é o único país africano que conseguiu reverter o número de infecções do vírus HIV, que assola o continente. Em três anos, o país conseguiu reduzir a população afetada pelo vírus de 8% para 5%. O presidente do país, Yowei Kaguta Museveni, diz que o segredo do sucesso é a educação. O próprio Museveni no poder desde 1986 conta que usava discursos e entrevistas para tentar convencer a população da necessidade de se proteger da doença. "Toda vez que eu podia, eu dizia 'vocês vão morrer se não pararem com isso. Vocês vão morrer'", afirmou Museveni uma vez em entrevista à BBC. Abstinência, monogamia e camisinha Campanhas de informação também foram feitas no rádio, com mensagens nas várias línguas faladas no país. As campanhas são baseadas em três coisas: abstinência sexual, monogamia e camisinha o que, em inglês, é chamada de estratégia do ABC (Abstinence, Behavior e Condom). "Nós fizemos nossa prioridade número um convencer a população a retornar aos valores tradicionais de castidade e fidelidade ou, se não conseguirem fazer isso, usar camisinha", afirmou o presidente Museveni, em uma visita a Washington, no mês passado. Ainda assim, ativistas de campanhas contra a Aids alertam para as dificuldades que os mais de 1 milhão de soropositivos de Uganda enfrentam cerca de 90% deles não podem pagar os medicamentos dos quais precisam. Noerine Kaleeba, uma das pioneiras das campanhas do país, diz que os pacientes estão desesperados para saber quando os recursos anunciados por Bush para o combate à Aids chegarão ao país. "Os jovens pacientes que vão cantar e dançar para ele (Bush) vão morrer em um ano se não receberem medicamentos retrovirais", afirmou Kaleeba. Bush anunciou investimentos de US$ 15 bilhões em programas de combate à Aids em 14 países, dos quais 12 são africanos. O dinheiro seria liberado em parcelas ao longo de cinco anos, mas o Congresso americano precisa aprovar cada uma dessas parcelas. Em um sinal de que os recursos não estão 100% garantidos, na quinta-feira o Congresso aprovou a liberação de apenas US$ 3 bilhões para os programas. Para Uganda, a necessidade de combater a Aids é também econômica. Com um PIB (Produto Interno Bruto) de apenas US$ 5 bilhões, o país não tem condições de pagar os coquetéis de remédios usados no tratamento da doença, nem mesmo as versões genéricas, mais baratas. O país já perde mais de US$ 700 milhões por ano com a Aids por causa, principalmente, do custo do tratamento e da perda de mão-de-obra. |
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