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Atualizado às: 03 de julho, 2003 - Publicado às 01h21 GMT - 22h21 (Brasília)
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Análise: Os possíveis futuros do plano de paz

Mahmoud Abbas e Ariel Sharon
Os dois líderes andam adotando o discurso da paz

O aperto de mãos entre os primeiros-ministros de Israel e da Autoridade Palestina, Ariel Sharon e Mahmoud Abbas, traz lembranças inevitáveis de dois outros importantes encontros entre líderes árabes e israelenses.

Ainda não está claro qual dos dois modelos este novo encontro irá seguir.

Será que este aperto de mão vai seguir o exemplo do que ocorreu nos jardins da Casa Branca em 1979 entre Menachem Begin e Anwar Sadat? Aquele aperto de mão levou à paz entre Israel e Egito – uma paz que pode não ser muito calorosa, mas que tem durado.

Ou será que este aperto de mão vai seguir o exemplo do que ocorreu entre Yitzhak Rabin e Yasser Arafat em 1993, também nos jardins da Casa Branca? Esse foi para comemorar os acordos de Oslo entre Israel e a Autoridade Palestina, que representavam esperanças, mas pouco depois desmoronaram.

Otimismo

Há aqueles que pensam que, finalmente, haverá paz.

Quando eu trabalhava em Jerusalém na metade da década de 80, eu costumava ir a Nablus para me encontrar com um professor da universidade An-Najah – Saeb Erekat.

No nosso almoço, ele costumava falar sobre a necessidade de reconhecimento mútuo entre palestinos e israelenses. Aquele foi um bate-papo um tanto avançado para mim, naquela época.

Depois, Erekat se aproximaria de Yasser Arafat e seria nomeado um dos principais negociadores palestinos.

Ele esteve em Londres recentemente, ainda otimista, apesar dos fatos recentes e dos dias de escuridão.

“Eu vi além do processo de paz”, disse-me ele, se referindo às discussões que teve com representantes de Israel durante as negociações que estiveram tão próximas de dar certo em Camp David e, posteriormente, em Taba, em 2000.

“Isso pode funcionar.”

Um novo senso de realidade

Talvez a melhor coisa a ser dita sobre o recente encontro é que há um novo senso de realidade.

O primeiro-ministro palestino assinalou isso ao ir ao escritório de Ariel Sharon no coração de Jerusalém Oeste.

Não havia bandeiras, mas ele falou de uma plataforma que trazia o símbolo do Estado de Israel.

Mahmoud Abbas apresentou aos israelenses uma mensagem de paz: “Não mais guerra, não mais derramamento de sangue. Basta de sofrimento, basta de mortes e basta de dor”.

Sharon também adotou a linguagem da paz, como certa vez fizera Begin, que também liderava o partido Likud. “Mesmo que tenhamos que fazer concessões dolorosas, eu estou disposto a fazê-las em nome de uma paz verdadeira – uma paz para gerações, uma paz que todos nós ansiamos.”

Mas palavras bonitas não produzem necessariamente acordos, principalmente no Oriente Médio.

O que para Sharon pode ser doloroso – o abandono de alguns assentamentos e o fim do velho sonho de um Estado israelense indo do Mediterrâneo ao Rio Jordão – pode ser considerado inadequado pelos palestinos, que devem exigir o controle sobre uma área semelhante à que tinham em 1967, além de algum controle sobre a cidade de Jerusalém.

E antes mesmo que seja discutida a questão do status do Estado palestino, o que no passado mostrou ser uma cordilheira intransponível, os palestinos terão que negociar um acordo referente às terras previstas no plano de paz apresentado pelos Estados Unidos, pela ONU, pela União Européia e pela Rússia.

Mesmo essas terras têm seus perigos.

Teste-chave para os israelenses

Para os israelenses, o teste mais importante quanto às intenções palestinas será o referente às facções armadas. O Hamas e a Jihad Islâmica anunciaram um cessar-fogo de três meses. O Fatah, o grupo político ao qual é ligado o líder palestino Yasser Arafat, diz estar adotando uma trégua de seis meses.

Polícia palestina terá a missão de reprimir ativistas
Polícia palestina terá a missão de reprimir ativistas

A posição da Brigada dos Mártires de Al-Aqsa, tecnicamente uma parte do Fatah, permanece incerta, com alguns de seus membros criticando a aparente cooperação de seus líderes com o processo de paz.

O plano não pede apenas o cessar-fogo desses grupos: pede também que os palestinos “prendam e controlem indivíduos e grupos que conduzem ou planejam ataques contra israelenses em qualquer lugar”. Isso deve ser seguido pelo “desmantelamento da infra-estrutura e capacidade terrorista”.

Também haverá mais retiradas israelenses, até que o território sob controle de Israel esteja próximo do que era controlado pelo país em 28 de setembro de 2000 – a data de início da segunda Intifada palestina.

Todas as atividades nos assentamentos, incluindo o “crescimento natural” deles, terão que parar.

Prisioneiros palestinos

E os palestinos introduziram sua própria exigência – uma que não é mencionada especificamente no plano de paz.

Eles querem a libertação imediata de prisioneiros palestinos, especialmente pessoas como Marwan Barghouti, um líder da Cisjordânia que teve papel de destaque na segunda Intifada, mas também ajudou nos esforços para implantar o cessar-fogo.

Os três meses de trégua dão uma margem de tempo para que sejam produzidos resultados. Mas a qualquer momento o cessar-fogo pode acabar, caso Israel decida atacar os grupos armados palestinos ou caso esses grupos voltem à ativa.

Se isso acontecer, tudo volta à estaca zero. Os israelenses iriam atacar as três facções palestinas sem hesitação, e os grupos retomariam sua campanha de atentados contra alvos israelenses.

A “psicologia” do momento

Muito depende do estado psicológico dos dois lados, se eles atingiram um estado de cansaço e vivem um impasse com relação ao que vem acontecendo.

Se isso tiver ocorrido, então há alguma esperança. Progresso poderia ser obtido com base nas diretrizes do plano de paz – eleições palestinas, construção das instituições do futuro Estado, autocontrole israelense, uma conferência de paz, um Estado palestino com fronteiras provisórias.

Depois, então, seria possível um avanço rumo a alguns pontos finais – o estabelecimento de fronteiras definitivas, uma solução para as questões dos assentamentos, de Jerusalém, dos refugiados, e da aceitação de Israel pelo mundo árabe.

Para cada Saeb Erekat, porém, há muitos céticos que provaram estar certos antes. E podem estar certos de novo.

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