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Atualizado às: 01 de julho, 2003 - Publicado às 19h05 GMT - 16h05 (Brasília)
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Educação no Brasil está entre as piores, diz Unesco
Brasileiros matam mais aulas do que a média, segundo a pesquisa

Os estudantes brasileiros estão entre os que têm os menores níveis de compreensão de leitura no mundo, entre os que mais matam aula no mundo e quase metade dos alunos estão abaixo do nível mais baixo de alfabetização da Unesco.

Essas informações fazem parte de uma pesquisa mundial sobre alfabetização, realizada pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Unesco, divulgada nesta terça-feira.

"Se você levar em conta a economia, os investimentos em educação, o Brasil está claramente abaixo da média, mas isso não explica os resultados. Mesmo que você leve em conta a renda per capita e o investimento em educação, o Brasil e, praticamente, todos os países na América Latina apresentam resultados abaixo das expectativas para países com esses níveis de investimento em educação", disse à BBC Brasil Andreas Schleicher, um dos autores do relatório.

Os dados fazem parte do Programa para a Avaliação Internacional de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês) – uma comparação entre os resultados obtidos por testes e questionários aplicados, em 2000, para alunos de 15 anos de 41 países.

Os resultados colocam o Brasil muito perto do fim da fila, ao lado de países como a Macedônia, a Albânia, a Indonésia e o Peru.

ABC

Mesmo os resultados dos melhores alunos brasileiros ficam bem abaixo dos piores estudantes dos países nas primeiras colocações no ranking de alfabetização. Já os piores estudantes brasileiros estão abaixo da linha da alfabetização.

Os campeões da alfabetização, segundo a pesquisa, são Finlândia, Hong Kong, Canadá e Japão.

A inclusão de Hong Kong e Coréia no topo da lista privilegiada indica, segundo Schleicher, que a riqueza do país não é garantia de boa educação.

"Há uma geração, Brasil, México, Hong Kong, e Coréia não estavam muito distantes na área de educação, mas na última geração a Coréia e Hong Kong foram para o topo, enquanto os outros permaneceram no fim da fila", diz Andreas Schleicher.

"Acho que nem o histórico social e econômico podem explicar totalmente os resultados que publicamos (do Brasil)", acrescenta ele.

Sucesso

Qual seria, então, o segredo dos países que ocupam os primeiros lugares?

O estudo sobre alfabetização foi feito por alunos de 15 anos

"É difícil encontrar explicações, mas se você analisar os países que estão no topo da lista, todos têm metas claras a serem atingidas na educação e formas sistematizadas de medir este progresso", afirma Schleicher.

"Eles têm um corpo letivo altamente qualificado, métodos para garantir que os objetivos dos currículos sejam implementados. Acredito que essas coisas são, no mínimo, tão importantes quanto o investimento direto em educação", completa ele.

No entanto, o relatório também revela que o investimento no aluno brasileiro até os 15 anos também está entre os mais baixos do mundo: em torno de US$ 10 mil, calculados pela paridade do poder de compra – uma unidade que compara o poder de compra de cada moeda para os mesmos bens.

Com esse investimento, Brasil tem a metade do investimento feito no Chile e na Argentina.

Leitura

Curiosamente, o documento da OCDE também indica que os alunos brasileiros estão entre os que mais lêem no mundo nas suas horas vagas.

A pesquisa indica que, apesar dos baixos níveis de compreensão, nada menos que 10% dos estudantes brasileiros dedicam duas horas ou mais por dia à leitura por prazer.

Isso representa mais que o dobro da porcentagem de estudantes que declararam ler esse mesmo tempo em todos os países.

O Brasil fica mal, ao lado da Argentina e da Bulgária, no ranking dos que mais faltam às aulas de propósito: cerca de 10% dos estudantes nesses países admitiram ter faltado nas aulas cinco ou mais vezes nas duas semanas anteriores à pesquisa.

Essa porcentagem é três vezes maior do que a média de todos os países, que é de 3%.

O relatório, no entanto, ressalta que esse resultados dependem bastante do contexto sócio-econômico do país dos estudantes.

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