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Sob protestos, 'navio do aborto' continua na Polônia
A tripulação de uma clínica flutuante de aborto da Holanda disse que ficará mais uma semana num porto de Wladyslawowo, na Polônia, apesar de protestos dos moradores. Rebecca Gomperts, ativista da instituição pró-aborto Mulheres nas Ondas, disse que a decisão foi tomada porque muitas mulheres querem participar das aulas de educação sexual em alto-mar. Nesta sexta-feira, o navio saiu do porto rumo a águas internacionais, onde mulheres podem receber orientação sobre planejamento familiar longe das leis restritivas ao aborto na Polônia. Os ativistas não disseram se instruíram as mulheres a usar a chamada pílula do dia seguinte, que é proibida no país de ampla maioria católica. A embarcação atraiu manifestantes, que atiraram ovos, e uma multa de US$ 3 mil (aproximadamente R$ 9 mil) desde que chegou ao porto. O correspondente da BBC no país, Adam Eason, diz que a visita do navio chamado Langenort estimulou discussões em talk-shows, debate parlamentar e condenação da Igreja e líderes políticos conservadores. A Polônia tem uma das leis anti-aborto mais restritivas de toda a Europa. Só é possível interromper a gravidez para proteger a vida da mãe, quando o feto está irreparavelmente prejudicado ou se a concepção foi resultado de estupro ou incesto. Manifestantes anti-aborto tentaram seguir o Langenort com um barco menor, mas não conseguiram. O comandante do porto multou o navio na quarta-feira pela recusa em se identificar e por desobedecer ordens. "Eu pedi para que a embarcação se movesse para outra parte do porto onde seria protegida de um grupo de pessoas que demonstravam hostilidade na chegada", disse o comandante Kazimierz Undro. Conselho O navio chegou ao porto no domingo, para "oferecer orientação às mulheres sobre o uso de contraceptivos". Oficiais alfandegários poloneses vasculharam a embarcação e adotaram medidas para evitar a distribuição das pílulas RU-486, tomadas no dia seguinte de uma suposta concepção. "As pílulas RU-486 foram carimbadas durante a busca no navio na segunda-feira porque a importação delas, distribuição e uso são proibidos na Polônia", de acordo com Jolanta Twardowska, porta-voz dos fiscais. A visita do navio irritou a Igreja Católica e grupos anti-aborto que pediram para promotores investigarem se houve quebra da lei. Em 2001, a organização Mulheres nas Ondas levou um outro navio para a Irlanda, país também predominantemente católico, mas desistiu no último minuto de oferecer as pílulas por causa de complicações legais e logísticas. |
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