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Argentina reafirma desejo de soberania nas Malvinas Marcia Carmo, de Buenos Aires "Não vamos renunciar ao nosso objetivo de ter a soberania das Ilhas Malvinas", afirmou nesta segunda-feira, em seu primeiro discurso nas Nações Unidas, em Nova York, o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Rafael Bielsa. As palavras do ministro tiveram o aval do presidente argentino, Néstor Kirchner, 21 anos e dois meses depois da invasão das Malvinas por tropas argentinas, em 2 de abril de 1982 - episódio que marcou o início do conflito que terminou com a derrota da Argentina e antecipou a volta da democracia ao país. "Pedimos ao governo britânico que abandone sua resistência em discutir o assunto com o governo argentino", apelou Bielsa, diante do Comitê de Descolonização da ONU. Para o chanceler argentino, a questão da soberania do arquipélago deve ser discutida entre os dois governos, excluindo assim os kelpers (moradores das Malvinas, chamadas de Falklands pelos britânicos). Estratégia O gesto de Bielsa representa uma mudança de estratégia da Argentina para tentar obter o comando das Ilhas Malvinas. No governo do ex-presidente Carlos Menem, os argentinos tentaram incluir os kelpers em uma iniciativa que foi batizada de "política de sedução". Já na administração seguinte, do ex-presidente Fernando de la Rúa, o então chanceler Adalberto Rodríguez Giavarini preferiu ignorar os kelpers, mas não deixou claro qual seria a tática e o objetivo do governo sobre as Malvinas. Agora, o assunto volta à tona graças à decisão do presidente Néstor Kirchner, nascido e criado na província de Santa Cruz, na Patagônia, caminho para as Malvinas, onde a perda do arquipélago ainda é um assunto importante para os moradores. "Não podemos aceitar que o enfrentamento entre um governo militar argentino e o Reino Unido seja aproveitado por este para se afastar das negociações sobre a soberania das ilhas", disse Bielsa. "Não podemos aceitar também que queiram reduzir a questão a um chamado a renunciar a um pedido justo e histórico", insistiu o ministro. Apoio O governo argentino acredita ter ainda hoje o apoio, recebido na época da guerra, dos países latino-americanos, inclusive o Brasil. A derrota para a Grã-Bretanha, sob a batuta da então primeira-ministra Margaret Thatcher, provocou a queda do regime militar argentino e o início do processo de redemocratização do país.
A tática do general Leopoldo Galtieri, presidente da Argentina na época, era reconquistar as Malvinas e, com elas, o apoio popular. Mas não foi o que aconteceu. O conflito deixou milhares de soldados argentinos mortos durante as batalhas muitos atingidos pelo frio e pela falta de equipamentos de guerra. Ainda hoje, ex-combatentes - que, na guerra, eram então jovens soldados com pouco mais de 18 anos - engrossam as filas de desempregados, trabalham como taxistas ou pedem esmola nos trens da capital argentina. Diplomacia Para tentar reaver as Malvinas, onde, especula-se, poderia haver petróleo, o novo ministro argentino convidou o embaixador Lúcio González Solar para integrar a comitiva argentina em Nova York. O diplomata foi embaixador na ONU e sugeriu, em 1965, na Assembléia Geral das Nações Unidas, a criação da resolução 2065, que determina que as negociações sobre a soberania do arquipélago sejam realizadas anualmente. Na prática, de acordo com funcionários do atual governo, isso não tem ocorrido porque a iniciativa da guerra acabou enterrando as chances de uma verdadeira saída diplomática para as Malvinas. Na tentativa de amenizar as diferenças históricas entre argentinos, ingleses e kelpers sobre o destino do arquipélago, o músico argentino Daniel Barenboim, um dos principais pianistas do mundo, sugeriu a Rafael Bielsa a criação de uma orquestra com integrantes dos três lugares. O ministro, de acordo com assessores, aprovou a idéia. Para Bielsa, fã da música clássica, a arte poderá contribuir para que a Grã-Bretanha volte a negociar com a Argentina desta vez, sem os kelpers, mesmo que eles tenham cadeira garantida na orquestra de Barenboim. O músico, aliás, já formou uma orquestra que reúne israelenses e palestinos e já tocou músicas de Wagner em plena Jerusalém. Barenboim costuma dizer que sua meta é transformar a música em um caminho para o entendimento e a paz. |
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