BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 27 de junho, 2003 - Publicado às 06h45 GMT - 03h45 (Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Argentina reafirma desejo de soberania nas Malvinas

Marcia Carmo, de Buenos Aires

"Não vamos renunciar ao nosso objetivo de ter a soberania das Ilhas Malvinas", afirmou nesta segunda-feira, em seu primeiro discurso nas Nações Unidas, em Nova York, o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Rafael Bielsa.

As palavras do ministro tiveram o aval do presidente argentino, Néstor Kirchner, 21 anos e dois meses depois da invasão das Malvinas por tropas argentinas, em 2 de abril de 1982 - episódio que marcou o início do conflito que terminou com a derrota da Argentina e antecipou a volta da democracia ao país.

"Pedimos ao governo britânico que abandone sua resistência em discutir o assunto com o governo argentino", apelou Bielsa, diante do Comitê de Descolonização da ONU.

Para o chanceler argentino, a questão da soberania do arquipélago deve ser discutida entre os dois governos, excluindo assim os kelpers (moradores das Malvinas, chamadas de Falklands pelos britânicos).

Estratégia

O gesto de Bielsa representa uma mudança de estratégia da Argentina para tentar obter o comando das Ilhas Malvinas.

No governo do ex-presidente Carlos Menem, os argentinos tentaram incluir os kelpers em uma iniciativa que foi batizada de "política de sedução".

Já na administração seguinte, do ex-presidente Fernando de la Rúa, o então chanceler Adalberto Rodríguez Giavarini preferiu ignorar os kelpers, mas não deixou claro qual seria a tática e o objetivo do governo sobre as Malvinas.

Agora, o assunto volta à tona graças à decisão do presidente Néstor Kirchner, nascido e criado na província de Santa Cruz, na Patagônia, caminho para as Malvinas, onde a perda do arquipélago ainda é um assunto importante para os moradores.

"Não podemos aceitar que o enfrentamento entre um governo militar argentino e o Reino Unido seja aproveitado por este para se afastar das negociações sobre a soberania das ilhas", disse Bielsa.

"Não podemos aceitar também que queiram reduzir a questão a um chamado a renunciar a um pedido justo e histórico", insistiu o ministro.

Apoio

O governo argentino acredita ter ainda hoje o apoio, recebido na época da guerra, dos países latino-americanos, inclusive o Brasil.

A derrota para a Grã-Bretanha, sob a batuta da então primeira-ministra Margaret Thatcher, provocou a queda do regime militar argentino e o início do processo de redemocratização do país.

Soldado argentino rendido na Guerra das Malvinas

A tática do general Leopoldo Galtieri, presidente da Argentina na época, era reconquistar as Malvinas e, com elas, o apoio popular. Mas não foi o que aconteceu.

O conflito deixou milhares de soldados argentinos mortos durante as batalhas – muitos atingidos pelo frio e pela falta de equipamentos de guerra.

Ainda hoje, ex-combatentes - que, na guerra, eram então jovens soldados com pouco mais de 18 anos - engrossam as filas de desempregados, trabalham como taxistas ou pedem esmola nos trens da capital argentina.

Diplomacia

Para tentar reaver as Malvinas, onde, especula-se, poderia haver petróleo, o novo ministro argentino convidou o embaixador Lúcio González Solar para integrar a comitiva argentina em Nova York.

O diplomata foi embaixador na ONU e sugeriu, em 1965, na Assembléia Geral das Nações Unidas, a criação da resolução 2065, que determina que as negociações sobre a soberania do arquipélago sejam realizadas anualmente.

Na prática, de acordo com funcionários do atual governo, isso não tem ocorrido porque a iniciativa da guerra acabou enterrando as chances de uma verdadeira saída diplomática para as Malvinas.

Na tentativa de amenizar as diferenças históricas entre argentinos, ingleses e kelpers sobre o destino do arquipélago, o músico argentino Daniel Barenboim, um dos principais pianistas do mundo, sugeriu a Rafael Bielsa a criação de uma orquestra com integrantes dos três lugares.

O ministro, de acordo com assessores, aprovou a idéia. Para Bielsa, fã da música clássica, a arte poderá contribuir para que a Grã-Bretanha volte a negociar com a Argentina – desta vez, sem os kelpers, mesmo que eles tenham cadeira garantida na orquestra de Barenboim.

O músico, aliás, já formou uma orquestra que reúne israelenses e palestinos e já tocou músicas de Wagner em plena Jerusalém. Barenboim costuma dizer que sua meta é transformar a música em um caminho para o entendimento e a paz.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade