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Atualizado às: 27 de junho, 2003 - Publicado às 05h44 GMT - 02h44 (Brasília)
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Análise: Qual é a política americana em relação ao Irã?

O Irã acusou os Estados Unidos de interferir de maneira "grosseira" nos assuntos internos do país, após o presidente George W. Bush ter manifestado o apoio a estudantes que protestam no Irã.

O país, dirigido por aiatolás, também vem recebendo pressões - dos Estados Unidos e de outros países - devido a alegações de que estaria tentando desenvolver armas de destruição em massa.

Mas o governo Bush possui mesmo uma estratégia real para tratar o Irã?

Ao ouvir os líderes linha-dura iranianos você poderia pensar que o "grande satã" - como eles ainda chamam os Estados Unidos - espertamente tem um plano para tirá-los do poder.

Estratégia

Mas ouvindo as discussões em Washington, de acordo com autoridades e analistas, você pode ter a clara sensação de que a administração Bush tem instintos, visões e preferências em relação ao Irã, mas sem possuir uma estratégia coerente em relação ao país.

Existem várias razões para isso.

O governo americano sempre quis fazer alguma coisa em relação ao Irã desde que o presidente Bush chegou à Casa Branca.

Mas os atentados de 11 de Setembro, em Nova York e em Washington, seguidos da guerra no Afeganistão e depois no Iraque, acabaram dominando a agenda de Bush.

O resultado disso é que, até recentemente, a questão do Irã vinha sendo empurrada para segundo plano.

Mas há uma segunda razão para isso. Como ocorre em relação a outros temas importantes, existem intensos debates internos sobre como o governo Bush deve tratar a questão.

O impulso por trás da política do governo americano foi manifestado durante um pronunciamento, no ano passado, feito por Zalmat Khalizad, um alto funcionário do governo.

“A política dos Estados Unidos não é pela imposição de mudanças no Irã, mas pelo apoio ao povo iraniano para que ele possa decidir seu próprio destino”.

“Nossa política”, disse, “não trata de Khatami (o presidente reformista iraniano) ou Khamenei (o supremo líder religioso conservador)".

“Trata de dar apoio aos que buscam liberdade, direitos humanos, democracia, além de oportunidades econômicas e educacionais para eles mesmos e seus compatriotas, homens e mulheres”.

Khalizad ainda acusou o Irã de dar apoio a grupos terroristas e desenvolver armas de destruição em massa, deixando claro que este tipo de comportamento é inaceitável para os Estados Unidos.

Mudanças no regime?

Desde então, autoridades americanas vêm reiterando o apoio generalizado às forças favoráveis à democracia no Irã, mais recentemente durante manifestações de estudantes ocorridas na semana passada.

Mas para eles mesmos essas palavras são cercadas de muitas perguntas.

Quem são exatamente os iranianos que a administração Bush deseja apoiar?

E ainda: será que o apoio externo vai ajudá-los ou desacreditá-los?

Os "falcões" de Washington (que são favoráveis a políticas mais duras), chamados também de neoconservadores, sentem claramente que a administração Bush não avançou o suficiente.

Eles apoiam ações mais robustas - como o aumento das pressões diplomáticas, sanções econômicas e apoio a grupos de oposição no Irã - visando à "mudança de regime" através de ações não-militares.

"Diplomacia multilateral"

Os integrantes do setor mais liberal do governo americano (chamados de pombas) acreditam em termos gerais que o povo iraniano merece um regime melhor, mas preferem uma ação menos agressiva.

Eles preferem a diplomacia multilateral, mantendo quando necessário um diálogo direto com integrantes do governo iraniano, com o objetivo de mudar o comportamento do país.

Mas, no momento, o assunto mais importante é a questão nuclear, já que muitos especialistas dizem que os iranianos terão condições de produzir armas nucleares até 2006.

Existe um sentimento crescente de que, cedo ou tarde, o presidente Bush terá que decidir o tipo de estratégia a adotar, notificando as diferentes facções de Washington como implementá-la.

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