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Empresas disputam nos EUA contratos para atuar no Iraque | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Empresas de todo o mundo mandaram representantes a Washington na tentativa de obter contratos para projetos de reconstrução no Iraque. Encontram, porém, muitos obstáculos no caminho. Centenas de executivos estão se reunindo nesta semana numa conferência intitulada cujo objetivo é explicar como podem tomar parte das obras e novos serviços no Iraque. Companhias de lugares tão diversos quanto Turquia, Emirados Árabes Unidos, Letônia e Grã-Bretanha - assim como muitos grupos americanos - reclamam de dificuldades para participar do processo. Se não conseguir incluir o setor privado na reconstrução iraquiana, o governo americano deve ter ainda mais dificuldades para canalizar recursos capazes de trazer melhorias ao país abalado pelas sanções e pela guerra. Burocracia O ex-subsecretário da Defesa Richard Perle advertiu numa palestra que os obstáculos burocráticos poderiam atrasar a exploração completa dos recursos iraquianos. Disse ainda que o processo seria acelerado no momento em que os iraquianos retomarem o controle de seu país. Perle afirmou que a guerra terminou tão rápido que pegou os Estados Unidos "despreparados para a tarefa da reconstrução". Um problema para muitas companhias é a falta de alguém no Iraque com quem negociar. O Iraq Power Group (IPC), empresa privada com apoio financeiro americano e dos Emirados Árabes, pretende construir pequenas estações de energia para suplementar a frágil rede nacional iraquiana. Garantias Sergio Picon, do IPC, disse já ter parceiros no país que forneceriam energia, mas que sua empresa necessita de garantias de estatais ou de prefeituras municipais de que receberiam o pagamento pelos seus serviços. O Banco de Importação e Exportação dos Estados Unidos, que poderia dar esse tipo de garantias, precisa de uma agência governamental estrangeira para negociar esses acordos. Executivos do banco dizem que buscam soluções alternativas, como financiar o projeto por meio de um terceiro país, como o Kuwait ou a Jordânia. Essa solução para financiamemto pode ser uma opção também àquelas empresas que, caso não sigam este caminho, teriam de obter contratos com a firma americana Bechtel - grupo que recebeu as principais concessões de recontrução cedidas pela USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional). Tatyana Olkhovich, representante da empreiteira britânica Atkins, explicou que seu grupo comprou uma companhia americana para aumentar suas chances de conseguir contratos. Lobby político Outras empresas estrangeiras esperam que as suas boas conexões políticas lhes tragam também uma fatia na divisão do bolo iraquiano. O ex-primeiro-ministro da Letônia Valdis Birkavs lidera agora um consórcio de seis construtoras de seu país com planos de erguer pontes, estradas e estações de energia no Iraque. Ele disse à BBC que o apoio da Letônia ao ataque ao Iraque deve ajudar nos negócios. Richard Perle destacou que "não será surpresa" se o governo iraquiano se negar a conceder contratos para empresas da França ou da Alemanha em razão da posição contra a guerra adotada por seus governantes. Segurança Outro problema na pauta de discussões no evento em Washington são as condições de segurança ainda incertas no Iraque. O representante da gigante automobilística GM para o país disse que deve adiar a sua ida à região até que a situação melhore. Rubar Sandi, empresário iraquiano de destaque que tem aconselhado o Departamento de Estado americano, afirma que o Iraque possui um enorme potencial em razão de sua mão-de-obra qualificada e enormes recursos naturais. Ele cita os setores de telecomunicações, água, eletricidade e petróleo como as grandes oportunidades para grupos estrangeiros. |
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