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Perfil: Gerhard Schröder | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A ascensão do chanceler alemão, Gerhard Schröder, tem todos os ingredientes de um best-seller, com exceção, talvez, do final feliz. Como nos best-sellers, alguns momentos da vida do primeiro-ministro rendem boas risadas. Um exemplo está no dia em que ele escalou as grades da sede do governo da então Alemanha Ocidental, gritando: "Deixem-me entrar". Dezesseis anos depois, em 1998, ele entrava pela porta da frente. Havia sido eleito o novo líder da Alemanha, pondo fim a 16 anos de governo do conservador Helmut Kohl, da União Democrata-Cristã (CDU). Sua biografia tem também certa dose de melodrama. Quando jovem, ele prometeu à mãe, na época faxineira, que um dia iria estacionar uma Mercedes em sua porta. O dia chegou em 1990 (se não antes), quando o governador recém-eleito do Estado da Baixa Saxônia buscou a mãe de limusine oficial para comemorar o aniversário de 80 anos da ex-faxineira. Jovem socialista Schröder nasceu em Mossemberg, na Baixa Saxônia, em 1944. Ele nunca conheceu o pai, um trabalhador sem qualificação, que morreu lutando na Romênia durante a Segunda Guerra. Popularidade não foi seu forte na infância. Segundo suas próprias palavras, era o garoto desmazelado com quem ninguém queria brincar.
Ao terminar a escola, trabalhou numa loja de ferragens e na construção civil. Ainda assim, continuou estudando durante a noite e, nos anos 70, formou-se em direito. Além de estudar e trabalhar, ele se dedicava à política. Em 1978, tornou-se líder da Juventude Socialista. Dois anos mais tarde, foi eleito pela primeira vez para a Câmara Baixa do Parlamento. Marx e charutos O jovem Schröder era marxista e ambientalista. No início dos anos 70, tinha como ídolo o chanceler social-democrata Willy Brandt, responsável pela política de aproximação com a União Soviética e os países socialistas do Leste Europeu. Mas o idealista não tardou a criar gosto por ternos bem cortados, malhas de caxemira e charutos de primeira linha. Logo também garantiu um lugar no conselho de administração da Volkswagen – posição que rendeu várias críticas ao ex-líder da Juventude Socialista.
Vaidoso e conhecido pela falta de senso de humor, o chanceler foi neste ano à Justiça para impedir uma agência de notícias de afirmar que seus cabelos eram tingidos. Há quem diga que a medida foi idéia de sua mulher (a quarta delas), Doris Schröder-Kopf, uma ex-jornalista 19 anos mais nova que ele. Mas não só trivialidades fazem a carreira do primeiro líder alemão, cuja vida – ou juventude – não foi marcada diretamente pela Segunda Guerra Mundial. Sob seu comando, a Alemanha está disposta a demostrar sua força na arena política internacional. No governo Schröder, o país expandiu sua presença militar no exterior. Tropas alemãs integraram forças de paz em Kosovo e na Macedônia e também foram enviadas ao Afeganistão. Desemprego Parte do sucesso de Schröder vem de sua habilidade em garantir boa imagem na mídia. Em 1998, além dele, dois outros pré-candidatos – Oskar Lafontaine e Rudolf Scharping – disputaram a indicação do Partido Social-Democrata para o cargo de chanceler. Schröder foi o escolhido depois de pesquisas apontarem o confiante e sorridente governador da Baixa Saxônia como o favorito entre os três social-democratas. A escolha deu certo. Schröder derrotou nas urnas o chanceler Helmut Kohl, prometendo acabar com 16 anos de "estagnação". Durante a campanha, dizia ainda que iria criar o "novo centro" na política alemã. Também prometeu novos empregos. E afirmou, imprudentemente, que seu governo não merecia se manter no poder caso não reduzisse significativamente o nível de desemprego. É justamente na falta de emprego que está seu maior problema. A retração da economia global ajudou a elevar o número de desempregados da Alemanha para 4 milhões – quase o número que herdou de Kohl. Mas nem tudo atrapalha sua candidatura. Pesa a favor do chanceler seu sucesso na condução da reforma tributária alemã – questão nada apetitosa para um best-seller, mas que dá a Schröder esperanças de vencer as eleições do próximo dia 22. |
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