Ataque na Tunísia: qual é o tamanho da ameaça?

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Outrora considerada bastião do secularismo no mundo árabe, a Tunísia viu militantes radicais ganharem força desde a deposição do então presidente Zine Al-Abidine Ben Ali por meio de um levante popular em 2011.
O ataque ao famoso Museu Nacional do Bardo na capital Túnis, nesta quarta-feira, foi o mais sangrento desde a revolução. Pelo menos 19 pessoas morreram ─ a maioria turistas europeus.
Nenhum grupo reivindicou a autoria do atentado, mas as suspeitas recaem sobre grupos muçulmanos salafistas ligados à Al-Qaeda ou ao grupo autodenominado "Estado Islâmico" (EI), que está combatendo no Iraque e na Síria e já tem um pé na vizinha Líbia.
As autoridades dizem que cerca de três mil tunisianos viajaram ao exterior para combater com grupos extremistas ─ incluindo à Síria e ao Iraque ─ tornando-se o grupo mais numeroso de combatentes estrangeiros a se juntar às fileiras do EI, segundo especialistas.
Contudo, o retorno desses militantes à Tunísia pode representar uma ameaça à segurança nacional.
O ataque é um duro golpe ao novo governo secular da Tunísia, que se comprometeu a endurecer o combate aos militantes depois de derrotar o partido moderado islâmico Ennahda nas eleições no ano passado, as primeiras democráticas do país.
Tendo vencido a primeira eleição pós-revolução, o Ennahda foi acusado de não enfrentar fortemente os grupos jihadistas ─ uma percepção que ganhou corpo após os assassinatos dos políticos Chokri Belaid e Mohamed Brahmi, duas lideranças seculares do país.
A Tunísia também combateu a Al-Qaeda no Maghreb Islâmico (AQIM) ao longo da fronteira com a Argélia.
O grupo realizou uma série de ataques às forças de segurança na região montanhosa da Tunísia ─ pelo menos 14 soldados foram mortos em um atentado contra dois postos de controle em julho de 2014, a maior baixa registrada pelo Exército desde a luta pela independência da França em 1956.
O ataque ocorreu apesar de o fato de que as Forças Armadas vêm realizando ofensivas por ar e por terra desde 2012 para eliminar militantes radicais.
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Mas este novo revés não é surpreendente ─ a Tunísia possui uma das menores Forças Armadas na região, com pouca experiência de contraterrorismo, embora os militares tenham recebido treinamento e equipamento da Europa e dos Estados Unidos.
Dentro da Tunísia, o principal grupo islâmico radical é Ansar al-Sharia. Classificado como um grupo terrorista pela ONU, o Ansar al-Sharia foi acusado de atacar a embaixada americana em Túnis em setembro de 2012.
O grupo é liderado por Abu Ayadh Al-Tunisi, que foi perdoado e libertado da prisão após a derrubada do regime do ex-presidente Ben Ali como parte dos esforços para promover reconciliação.
Um novo alerta de prisão foi emitido pelas autoridades após alegações de que o grupo estaria envolvido em episódios de violência, incluindo o ataque à embaixada americana e aos assassinatos de Belaid e Brahmi.
Al-Tunisi nega as acusações e diz que defende pacificamente a promulgação da lei islâmica na Tunísia.
O grupo ganhou apoio por meio do trabalho humanitário, especialmente em bairros onde os níveis de emprego e pobreza são elevados.
Alguns analistas acreditam que, embora sua base de apoio seja pequena, a raiz da mobilização de Ansar al-Sharia o torna a maior ameaça à Tunísia, considerado o único país árabe a ter alcançado uma transição política bem-sucedida após os protestos que se espalharam pela região em 2011.












