Eleição grega testa recuperação pós-crise

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A Grécia vai às urnas neste domingo para uma eleição parlamentar que pode ter alterar a relação do país com a União Europeia.
O pleito, convocado pelo atual premiê, Antonis Samaras, depois de o Parlamento bloquear três vezes o nome de seu indicação para a Presidência grega, é visto por analistas como uma espécie de "referendo da austeridade".
E a julgar pelas pesquisas de opinião, uma parcela substancial dos gregos quer dar um basta às duras medidas econômicas impostas ao país por organismos internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a União Europeia (UE).
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Um reflexo disso é o favoritismo, apontado pelas pesquisas, da coalizão de esquerda Syriza, que vinha crescendo em popularidade graças a um plataforma contrária ao programa de austeridade e que defende a renegociação do pacote negociado com o FMI e a UE.
As pesquisas, entretanto, indicam que a frente não vai obter maioria absoluta das cadeiras do Parlamento.
Como é a eleição grega?
Os 300 membros do Parlamento unicameral são eleitos por um sistema que combina maioria simples com representação proporcional. O partido com mais votos recebe 50 cadeiras como bônus, mas precisa de 151 para formar um governo de maioria.

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Para entrar no Parlamento, um partido precisa no mínimo de 3% dos votos válidos.
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A idade mínima para votar é 18 e mais de 9,8 milhões de gregos fazem parte do eleitorado. Apesar do grande número de gregos expatriados, quem mora fora do país não tem direito a voto.
Por que a economia domina a agenda?
A Grécia pediu empréstimos da ordem de 240 milhões de euros do FMI e da UE para salvar uma economia seriamente afetada pela crise econômica de 2008. Depois de seis anos de medidas de austeridade e uma severa recessão, o desemprego permanece alto (22,5%) e o índice chega a 50% entre gregos de 25 a 35 anos.
A criação de novos impostos complicou ainda mais a situação da classe média grega.
A Grécia pode sair da UE?
Apesar da plataforma anti-austeridade, o Syriza afirma que não defende uma saída da Grécia da União Europeia ou mesmo que o país deixe de usar a moeda única do bloco, o euro.

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Porém, o líder do partido, Alexis Tsipras, de 40 anos, reafirmou nos últimos dias sua intenção de renegociar os termos da dívida grega e acabar com algumas medidas de austeridade - hipótese rejeitada por diversos líderes europeus.
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A Grécia pode ser pressionada a deixar o euro se o Banco Central Europeu decidir não comprar títulos da dívida grega como parte de um programa de afrouxamento quantitativo (quantitative easing), sabendo que o próximo governo pensa em reestruturar a dívida.
Mas se o Syriza causa preocupação fora da Grécia, a visão do eleitorado doméstico é bem diferente. O partido tem registrado de 28% a 35% da preferência do eleitorado, enquanto o principal concorrente, a Nova Democracia, o partido do atual governo, conta com apoio variando entre 25% e 30%.
O Syriza vai conseguir formar um governo?
Mesmo que vença as eleições, é improvável que o partido consiga a maioria absoluta das cadeiras. Precisará formar uma coalizão.

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Diversos pequenos partidos poderiam se interessar em unir forças, incluindo o Pasok (socialista), de grande força política no passado mas que hoje está cotado para conseguir apenas 5% dos votos. O Pasok certamente exigiria de Tsipras garantias de uma renegociação da dívida grega.
O Movimento dos Socialistas Democráticos, uma dissidência do Pasok, é outra opção de parceiro.
Há também o To Potami (O Rio, em grego), partido de centro formado no ano passado pelo jornalista Stavros Theodorakis como uma alternativa à política partidária tradicional.
Embora seja de centro-direita e tenha pouco em comum ideologicamente com o Syriza, o partido Gregos Independentes, formado por ex-integrantes da Nova Democracia, também tem uma orientação anti-austeridade e poderia se aliar aos esquerdistas.
Quem mais poderá ser primeiro-ministro?

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O principal rival de Alex Tsipras é o atual premiê, Antonis Samaras. Mas sem o bônus de 50 cadeiras dado ao partido com a maioria dos votos, seria difícil para ele conseguir formar um governo.
Samaras defendeu a política econômica de seu governo como necessária para a recuperação do país. E tem apostado no receio entre parte da população de que o Syriza possa isolar o país do resto da Europa.












