Com campanha sem brilho, Brasil dá em casa seu maior vexame em Copas

Crédito, Getty
- Author, Paulo Silva Junior
- Role, Da BBC Brasil em São Paulo
O futebol brasileiro esperou 64 anos por um novo Mundial no Brasil, mas a equipe não repetiu o embalo da Copa das Confederações, perdeu a principal estrela para o jogo mais complicado e acabou dando adeus às chances de conquistar o sexto título de sua história com um vexame histórico frente à Alemanha, que atropelou e venceu a semifinal por elásticos 7 a 1.
Depois de uma campanha que passava longe de ser brilhante, a equipe nacional enfrentou os alemães sem Neymar, com fratura na vértebra, e Thiago Silva, suspenso, e protagonizou o pior momento da seleção em mais de cem anos de história e vinte Copas do Mundo: o time de Luiz Felipe Scolari, completamente dominado pelo rival, levou cinco gols em 29 minutos diante da torcida em Belo Horizonte.
No segundo tempo, a Alemanha ainda fez mais dois, e o Brasil descontou no fim com um gol de Oscar.
Se em 1950 o trauma se deu numa derrota por 2 a 1 para o Uruguai quando um Maracanã lotado se frustrou ao ver o Brasil perder um título que parecia certo - o famoso Maracanazo -, a derrota em 2014 aconteceu um jogo antes da decisão do título e ficará marcada como a maior goleada sofrida na história da seleção brasileira em mundiais, superando os 3 a 0 da final de 1998, contra a França.
Sem vantagem

Crédito, AP
A goleada marca um torneio em que o fato de jogar em casa, colocado como ponto a favor da seleção brasileira antes da Copa, acabou não tendo o mesmo peso do torneio do ano passado.
A comoção na hora do hino, que virou a marca da equipe nacional por ser entoado à capela pela torcida em 2013, passou a acontecer também com outras equipes.
A emoção dos jogadores brasileiros, um trunfo até então, chegou ainda a ser colocada em cheque quando os atletas admitiram a dificuldade em se controlar diante de tanta pressão por jogar um torneio desta grandeza no Brasil.
Em campo, a equipe teve grandes dificuldades em impor o seu jogo durante toda a competição e passou a ter, desde cedo, titulares questionados por torcida e imprensa, como Daniel Alves, Paulinho e Fred. O futebol de muita intensidade e gols no início não se repetiu - dos cinco jogos da Copa das Confederações, em três o Brasil marcou antes dos dez minutos, feito conseguido apenas uma vez neste Mundial -, até a equipe sucumbir de forma impressionante frente ao primeiro grande rival.

Crédito, Reuters
Para piorar, Neymar, a grande estrela da companhia, levou uma entrada dura no final do jogo contra a Colômbia pelas quartas de final e acabou fora da Copa após ter constatada uma fratura na vértebra. Depois de quatro gols na primeira fase, o camisa 10 não marcou no mata-mata, mas a ausência escancarou ainda mais dificuldades criativas do Brasil.
Ainda que não tenha tido uma trajetória brilhante - três vitórias, dois empates e uma derrota - o desempenho foi o suficiente para colocar a seleção pela 11ª vez entre os quatro melhores da Copa. Agora, a equipe de Luiz Felipe Scolari busca no sábado chegar pela décima vez entre os três primeiros: são cinco títulos, dois vice-campeonatos e, em caso de vitória no jogo do final de semana (contra o perdedor de Holanda x Argentina), seria a terceira vez do Brasil no terceiro lugar do Mundial.
Campanha

Crédito, Getty
"Se tivesse de planejar de novo, faria tudo exatamente igual. Foi perfeito", disse Felipão na véspera da estreia na Copa do Mundo, quando o Brasil venceu a Croácia por 3 a 1. Toda a preparação foi muito elogiada pela comissão técnica e jogadores, e a própria convocação não criou maiores polêmicas como em outras oportunidades.
Nos primeiros jogos da Copa do Mundo, a seleção não conseguiu repetir a estratégia de começar o jogo no embalo da torcida e marcando um gol logo no início das partidas para impressionar os visitantes. Contra a Croácia, a seleção saiu atrás do placar antes de vencer por 3 a 1; diante do México, não saiu de um empate sem gols.
Frente à seleção de Camarões, a equipe não chegou a brilhar, mas fez 4 a 1 num dos piores times da Copa com boa atuação principalmente no segundo tempo, quando Fernandinho ganhou o lugar de Paulinho no time titular.
A primeira fase terminava, portanto, com duas vitórias, um empate e o consenso no elenco da seleção que a equipe precisava melhorar para a fase final.
Neymar, grande estrela do time na primeira Copa do Mundo na carreira e aos 22 anos de idade, correspondeu com quatro gols; os zagueiros, considerados dois dos melhores do mundo, seguiram elogiados; mas outros jogadores importantes não tiveram a mesma inspiração da Copa das Confederações.

Crédito, Reuters
O lateral Daniel Alves, que perderia a posição para Maicon nas quartas, o volante Paulinho, que de decisivo em 2013 acabou no banco de reservas nas oitavas, o meia Oscar, que não conseguiu ser criativo na armação das jogadas como em outros tempos, e o atacante Fred, que terminaria a Copa com apenas um gol e pouca movimentação, são exemplos de nomes que não viveram um grande momento técnico.
Lágrimas
Contra o Chile, nas oitavas de final, um gol do zagueiro David Luiz colocou o Brasil na frente, mas os chilenos empataram e quase viraram o jogo no último minuto da prorrogação, quando Pinilla chutou no travessão - o Brasil avançou nos pênaltis com duas defesas de Júlio César.
No jogo, chamou a atenção o choro dos jogadores da seleção pouco antes de bater os pênaltis. A imagem de Thiago Silva sentado na bola com lágrimas nos olhos levou a questionamentos sobre o estado emocional dos jogadores.
Diante da Colômbia, novamente dois gols de zagueiros - Thiago Silva, após escanteio, e David Luiz, de falta - abriram vantagem para o Brasil, que viu o rival descontar e pressionar até o fim.
A lesão de Neymar, já nos últimos minutos da partida, repercutiu pelos dias seguintes, com a saída do jogador da competição em razão de uma fratura na vértebra da coluna lombar. Tanto o camisa 10 como o capitão Thiago Silva, suspenso, desfalcaram o time no jogo mais difícil até então, diante da poderosa Alemanha.
No Mineirão, o jogo foi decidido em pouquíssimo tempo, quando Muller aproveitou cruzamento para abrir o placar aos 11 minutos e Khedira marcava já o quinto aos 29 do primeiro tempo. Kroos, duas vezes, e Klose, que se tornou o maior artilheiro da história das Copas com 16 gols, completaram o placar do primeiro tempo; Schurrle, com dois gols, ampliou, e Oscar marcou o de honra nos acréscimos: Brasil 1 x 7 Alemanha.












