'FT': Acidente 'levanta questões' sobre capacidade do Brasil de sediar eventos

acidente Arena Corinthians
Legenda da foto, Queda de guindaste sobre parte do estádio matou dois operários

Vários jornais internacionais nesta quinta-feira deram destaque ao acidente com um guindaste na Arena do Corinthians, em São Paulo, que matou dois operários.

O diário financeiro britânico Financial Times afirma que o incidente "levanta questões sobre a capacidade do Brasil de sediar os dois grandes eventos esportivos para os quais se prepara".

O jornal ressalta que o país "vem lutando" para entregar a infraestrutura necessária para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas e que as construtoras "trabalham contra o relógio" em estádios e aeroportos para que o país fique pronto a tempo.

Acrescenta que o relacionamento do Brasil com a Fifa está "sob pressão" desde os protestos que tomaram as ruas brasileiras durante a Copa das Confederações.

"Quando o Brasil foi escolhido para sediar a Copa e as Olimpíadas há alguns anos, esses eventos foram vistos como uma chance para o país exibir sua economia ascendente e o recente crescimento", avalia o FT.

"No entanto, à medida que o crescimento desacelera, (os protestos) se tornaram um foco para ressentimento entre muitos brasileiros, que argumentam que o dinheiro deveria ser gasto em melhorias dos serviços públicos".

Em sua reportagem sobre o acidente de quarta-feira, o americano The New York Times também ressalta a relação entre a organização da Copa e os protestos, afirmando que o alto custo dos estádios fomentou "a ira dos manifestantes e questionamentos sobre as prioridades de uma nação em que escolas e hospitais públicos estão em condições lamentáveis".

O jornal ainda afirma que, com o último incidente, os organizadores da Copa estão agora se questionando sobre a segurança dos funcionários envolvidos em suas "tentativas frenéticas" de finalizar os estádios.

'Revés mortal'

Para o jornal britânico The Guardian, o acidente no estádio que vai sediar a abertura da Copa representa um "revés mortal" nas preparações do Mundial.

"O fato de o acidente ter ocorrido a uma semana do sorteio que vai definir os grupos do campeonato reacende preocupações sobre a segurança da infraestrutura e o passo lento das construções dos estádios".

Ainda para o Guardian, o episódio é o último de uma longa lista de atrasos e fatalidades nos projetos de construção da Copa e "é claramente um constrangimento para o Brasil, (a construtora) Odebrecht e outros responsáveis pelo projeto".

O jornal lista outros tropeços nos projetos do Mundial, entre os quais os atrasos na entrega do Maracanã, a suspensão temporária do amistoso entre Brasil e Inglaterra, em maio, devido a riscos para a segurança dos torcedores no entorno do estádio, e o desabamento parcial do teto do estádio Fonte Nova, em Salvador, após fortes chuvas, em abril.