Bradley Manning diz: 'Quero ser uma mulher'

Bradley Manning Foto: Reuters
Legenda da foto, Manning disse se sentir do sexo feminino desde criança

Bradley Manning, o soldado americano que vazou documentos secretos do governo dos Estados Unidos para o site Wikileaks, anunciou que quer ser uma mulher.

"Eu sou Chelsea" disse Manning, de 25 anos, em um comunicado entregue ao programa Today, do canal de televisão americano NBC. "Eu sou uma mulher."

Ele disse que sente ser do sexo feminino desde criança, e que queria começar desde já uma terapia hormonal, e ser chamado pelo nome Chelsea.

Manning foi condenado a 35 anos de prisão por crimes como espionagem e roubo de dados do governo.

Problema de identidade

A luta de Manning em relação a sua identidade formou uma parte fundamental de sua defesa durante as semanas de julgamento.

Testemunhas de defesa, incluindo terapeutas que trataram Manning, disseram que ele tinha dito que queria fazer a transição para ser uma mulher, sugerindo que seus problemas de identidade afetaram sua saúde mental.

Manning vestido de mulher. Foto: Reuters
Legenda da foto, Ex supervisor de Manning disse ter recebido uma foto dele de peruca e batom

Promotores militares, por sua vez, descreveram Manning como um traidor em busca de notoriedade e pediram uma sentença de 60 anos a fim de impedir vazamentos de inteligência no futuro.

Manning, que cresceu no estado americano de Oklahoma e no País de Gales, entrou para o exército em 2007, para ajudar a pagar sua universidade e, de acordo com o testemunho de defesa apresentado a corte marcial, para livrar-se de seu desejo de se tornar uma mulher.

Desilusão

Treinado como um analista de inteligência, ele foi enviado ao Iraque em 2010.

Lá, ele se tornou desiludido com a guerra e cada vez mais isolado de seus amigos e familiares.

Em maio daquele ano, ele iniciou o que, posteriormente, tornou-se um dos maiores vazamentos de documentos confidenciais do governo dos Estados Unidos - centenas de milhares de telegramas diplomáticos e relatórios de batalha das guerras no Afeganistão e no Iraque.

Manning disse que esperava que os documentos pudessem mudar o mundo criando um debate sobre a política externa dos Estados Unidos e o exército.

Desde sua condenação, ele pediu desculpas por suas ações.

Durante o julgamento, o ex-supervisor de Manning no exército disse ter recebido um autorretrato do acusado usando peruca e batom.