Saques e chamas em novo protesto acirram tensão em São Paulo

A onda de protestos que tomou conta das ruas de cidades brasileiras espalhadas por todas as regiões do país registrou um novo capítulo na noite de terça-feira, quando novas manifestações foram realizadas em pelo menos 12 Estados.
Apesar da atmosfera de paz durante a maior parte do tempo, novas cenas de depredação e confrontos acirraram a tensão em São Paulo.
Pelo menos 50 mil pessoas participaram do novo protesto, que teve início na Praça da Sé e depois se dividiu em diferentes grupos. Um dos maiores seguiu em direção à Prefeitura e outro partiu para a Avenida Paulista.
A ocupação de uma das avenidas mais famosas e simbólicas da cidade começou pacífica e nas primeiras horas repetiu imagens da noite anterior, quando o protesto na região também ocorreu de forma tranquila.
Apenas no final da noite, a situação se agravou. Na esquina da Avenida Paulista com a Consolação, manifestantes incendiaram um painel da Coca-Cola e alguns foram presos. A Tropa de Choque da Polícia Militar se dirigiu à Rua Augusta, e houve disparo de bombas de gás lacrimogêneo e relatos de confrontos com manifestantes.
Já a área nos arredores da Prefeitura foi cenário das imagens mais marcantes da noite. Um grupo de manifestantes partiu para cima da Guarda Civil Metropolitana, que protegia o prédio, e tentou invadir o edifício. As forças municipais recuaram, se isolaram dentro da Prefeitura e impediram a invasão com o bloqueio das resistentes portas do prédio.
Em seguida, grupos de manifestantes se enfrentaram ─ uma parte defendia ações mais agressivas, outra pedia um tom pacífico para o protesto. Dezenas de pessoas mascaradas começaram a balançar uma van da Rede Record e, logo depois, incendiaram o veículo.
A tensão aumentou na região, uma cabine da polícia também foi incendiada e, minutos mais tarde, uma onda intensa de saques foi registrada em lojas e bancos das redondezas.
Bombeiros foram mobilizados para conter os focos de incêndio e a polícia começou a reprimir os saques. Para dispersar os manifestantes, a Tropa de Choque da PM lançou bombas de gás lacrimogêneo e disparou tiros de borracha - apesar da recente promessa do governador Geraldo Alckmin de que esse tipo de munição não seria utilizada na repressão aos protestos.
<link type="page"><caption> Veja um resumo das principais notícias dos protestos de terça-feira em ordem cronológica </caption><url href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/130618_live_protestos_tercafeira.shtml" platform="highweb"/></link>
Tarifa do transporte

As manifestações dos últimos dias, motivadas inicialmente pelo aumento das tarifas do transporte público, passaram a incluir uma série de outras demandas, incluindo mudanças na situação da educação, da segurança, da saúde e do combate à corrupção e aos gastos públicos com a organização da Copa do Mundo e das Olimpíadas.
Antes dos mais recentes protestos, a presidente Dilma Rousseff afirmou que "as vozes das ruas precisam ser ouvidas" e que elas expressam uma "mensagem direta pelo direito de influir nas decisões de todos os governos, do Legislativo e do Judiciário".
Mais tarde, Dilma viajou a São Paulo, onde se encontrou com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O prefeito Fernando Haddad se juntou aos dois para uma reunião no aeroporto de Congonhas, antes do retorno da presidente a Brasília.
Durante o dia, Haddad admitiu pela primeira rever o preço da tarifa de ônibus, que foi reajustada de R$ 3 para R$ 3,20 no início do mês, e se tornou o estopim para a onda de protestos.
"Se as pessoas me ajudarem a tomar uma decisão nessa direção [redução da tarifa], vou me subordinar à vontade das pessoas porque eu sou prefeito da cidade para fazer o que a cidade quer que eu faça", afirmou.
Desde o início dos protestos, pelo menos quatro capitais já anunciaram que vão diminuir o preço das passagens de transporte público: Porto Alegre, Recife, João Pessoa e Cuiabá.
Novas manifestações são esperadas em diversas cidades do Brasil nesta quarta-feira, incluindo atos em Fortaleza ─ onde a Seleção Brasileira joga pela Copa das Confederações ─ e na periferia de São Paulo.
A onda de protestos das últimas semanas é apontada como a maior desde o impeachment do presidente Fernando Collor, em 1992.












