ONG acusa Hamas de forçar palestinos a cortar o cabelo

Uma ONG de defesa dos direitos humanos em Gaza acusou a polícia do grupo militante islâmico Hamas, que governa o território palestino, de forçar moradores a raspar a cabeça por considerar seus cortes de cabelo "indecentes".
O Centro Palestino para os Direitos Humanos (PCHR na sigla em inglês) disse que vários jovens foram presos por deixar o cabelo muito longo ou por usar muito gel.
Representantes do Hamas negaram as acusações.
A ONG disse que os palestinos em questão foram espancados e forçados a assinar um documento se comprometendo a manter seus cabelos curtos. Eles também estariam sendo forçados a dizer que não usarão calças de cintura baixa, segundo a entidade.
Em entrevista à agência Associated Press, Ayman al-Sayed, de 19 anos, diz que tinha cabelo na altura da cintura, mas conta ter sido pego, com outros homens, pela polícia, que raspou sua cabeça.
Moda e Islã
Se o Hamas realmente quiser combater cabelos compridos, gel e calças de cintura baixa, corre o risco de perder apoio.
Tudo isso é a última moda entre os jovens no territóriov palestino, onde mais da metade da população tem menos de 18 anos.
O Ministério do Interior de Gaza, administrado pelo grupo militante, negou que sua polícia esteja envolvida no corte de cabelos e disse que grupos de estudantes islâmicos são os responsáveis.
No entanto, pessoas que testemunharam as prisões questionam a versão do Hamas.
Críticos do grupo islâmico acusam-no de impor, cada vez mais, leis que refletem uma interpretação conservadora do Islã.
No passado, o Hamas proibiu mulheres de fumar narguilés (ou shisha, cachimbo árabe) e vetou que homens cortem cabelos de mulheres. As duas leis, no entanto, não chegaram a vigorar plenamente.
Alguns acreditam que o Hamas introduz esse tipo de legislação para apelar para grupos mais conservadores em Gaza, que consideram o governo moderado demais.












