Blogueira baleada pelo Talebã volta à escola na Inglaterra

A adolescente paquistanesa Malala Yousafzai, que foi baleada pelo Talebã em outubro, teve nesta terça-feira seu primeiro dia aula em Birmingham, no centro da Inglaterra.
Malala, de 15 anos, foi atacada por causa ativismo político em defesa da educação de meninas em seu país e pelas críticas à milícia islâmica. O crime, ocorrido no Vale do Swat, gerou revolta dentro e fora do Paquistão.
Pouco tempo depois de ser baleada, ela foi transferida para um hospital em Birmingham, onde ficou internada até fevereiro– e continuou vivendo na cidade, com sua família.
A adolescente disse que começar na escola para meninas de Edgbaston foi "o dia mais importante" da vida dela.
"Acho que voltar para a escola é o momento mais feliz da minha vida. Era com isso que eu sonhava, com todas as crianças tendo o direito de irem para a escola."
"Estou muito feliz de usar esse uniforme, porque ele prova que eu sou uma estudante e que eu estou vivendo a minha vida e aprendendo."
Malala disse ainda que está ansiosa para aprender sobre política e legislação.
Vida normal

A diretora da escola, Ruth Weekes, disse acreditar que Malala precisava da estabilidade de frequentar uma escola.
"Ela quer ser uma adolescente normal e ter o apoio de outras meninas. Ao conversar com ela, percebi que ela sentiu muita falta da escola durante o período que esteve internada", disse Ruth.
Malala se tornou conhecida ainda em 2009, aos 11 anos, quando assinava o blog Diário de uma Estudante Paquistanesa na BBC Urdu, site da BBC para o Paquistão.
Na época, ela comentava o impacto de medidas do Talebã que, naquele ano, havia fechado mais de 150 escolas para meninas, e explodido outras cinco no Vale de Swat, uma região ultraconservadora do norte do país.
Ela e sua família se mudaram para a Inglaterra definitivamente depois que seu pai, Ziauddin Yousafzai, foi nomeado adido educacional do Paquistão no consulado de Birmingham.
Tanto Yousafzai quanto Malala sofreram novas ameaças de morte após deixarem o Paquistão.












