Avanço na segurança marca festa de Ano Novo no Rio

Festa de Ano Novo em Copacabana
Legenda da foto, Cerca de 2 milhões de pessoas eram esperadas na festa em Copacabana
    • Author, Júlia Dias Carneiro
    • Role, Da BBC Brasil no Rio de Janeiro

O Rio comemorou a virada para 2011 em clima de otimismo após um ano marcado por avanços na política de segurança e com o lançamento da logomarca da Olimpíada de 2016 durante o réveillon de Copacabana.

Moradores e turistas ouvidos pela BBC Brasil durante a festa, que reuniu cerca de dois milhões de pessoas na praia, falaram em um "aumento na autoestima do carioca" devido a ações do poder público e à atenção que os grandes eventos esportivos dos próximos anos estão trazendo para a cidade.

"A sensação é que o poder público está mais presente e as pessoas estão mais otimistas", disse Horácio Magalhães, presidente da Associação de Moradores de Copacabana.

"As ações exitosas do governo são importantes para aumentar a autoestima do carioca. Passamos muito tempo sem acreditar no poder público e voltamos a acreditar. Agora tem que continuar assim", afirmou ele, no meio de um bloco de carnaval de rua que desfilava ao som de marchinhas pouco antes da virada.

Em 2010, a política de ocupação de favelas dominadas por traficantes teve avanços importantes com a entrada de forças de segurança na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão, territórios que, segundo a Polícia Militar, eram considerados "inexpugnáveis" pelo tráfico.

Paralelamente à queima de fogos em Copacabana, a igreja da Penha, no alto de um morro ao lado das favelas do Alemão e da Vila Cruzeiro, também teve show pirotécnico. Na festa realizada para moradores da região, um letreiro luminoso pedia: "Paz em 2011 e para sempre".

Este foi o primeiro réveillon celebrado em Copacabana com Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) instaladas em todas as favelas próximas à praia. O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, acompanhou a queima de fogos do terraço da UPP do Morro da Babilônia, no Leme.

Moradora de Copacabana, a secretária aposentada Cenita Kac, de 75 anos, disse que a vida em sua rua "melhorou 99%" depois que uma UPP foi instalada da favela mais próxima, o Pavão-Pavãozinho, no fim de 2009.

"Agora à gente pode sair na rua à vontade", disse. "Acho que tem razão para o otimismo. Só a inflação é que não melhorou, as coisas estão caríssimas e o salário do aposentado está lá embaixo..."

Olimpíada

Pres. do COB, Carlos Arthur Nuzman, pres. do COI, Jacques Rogge, pref. do Rio, Eduardo Paes, Nawal El Moutawakel e Gilbert Felli
Legenda da foto, Logomarca da Olimpíada do Rio foi lançada durante festa do Ano Novo

Para o aeroviário Lician Mello, que veio de São Paulo com a família para passar o ano novo em Copacabana, "este é o momento da grande virada" para o Rio.

"A recuperação é a olhos vistos. A cidade está recebendo muitos investimentos, principalmente na área de petróleo e energia, e tem tudo para voltar a ser o que era anos atrás", disse enquanto esperava a queima de fogos. "A Copa e as Olimpíadas colocam o Rio muito em evidência e muitos estrangeiros estão vindo investir."

Duas horas antes da virada, a logomarca dos Jogos Olímpicos de 2016 foi revelada ao público de Copacabana, projetada em três telões e estampada em uma grande bandeira que foi estendida sobre a multidão.

Na logomarca, três figuras de mãos dadas dançam como numa ciranda, lembrando o célebre quadro "A Dança", de Henri Matisse. O contorno do desenho tem a forma do Pão de Açúcar.

Para o economista Eduardo Valente, morador de Copacabana, a vinda da Copa e da Olimpíada aumentou a autoestima do carioca. "O Rio está se firmando cada vez mais como organizador de grandes eventos para mais de um milhão de pessoas sem nenhuma confusão, como o réveillon e o show dos Rolling Stones na praia", lembrou.

A turista belga Nathalie Degreve, que veio à cidade pela primeira vez para passar o Ano Novo com a família, aproveitou para conhecer uma das favelas pacificadas com um guia turístico. Foi com os dois filhos e a sobrinha à comunidade Santa Marta, em Botafogo.

"Meu filho jogou futebol com as crianças de lá e adorou", contou a consultora.

Hospedada no mesmo hotel que o presidente do Comitê Olímpico Internacional, o conterrâneo Jacques Rogge, Nathalie disse que sua primeira impressão é que há muitos desafios na área de infraestrutura – principalmente nos transportes.

"Ficamos presos em muitos engarrafamentos ficamos impressionados ao ver que o aeroporto (o Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim) só tem transporte por ônibus ou táxi, somente por estradas. Não há previsão de um trem nem de metrô para a Olimpíada."

Para um europeu, diz ela, isso é impensável. "Dá para perceber que é o Rio está florescendo, mas a sensação é que a infraestrutura não está acompanhando."