Israel rejeita pedido dos EUA para congelar assentamentos

Assentamento judaico na Cisjordânia
Legenda da foto, Mais de 500 mil pessoas vivem nos assentamentos na Cisjordânia

Israel rejeitou os pedidos americanos para o congelamento dos assentamentos judaicos na Cisjordânia e vai permitir a continuidade de obras nesses locais, segundo afirmou nesta quinta-feira um porta-voz do governo israelense.

Segundo o porta-voz Mark Regev, o futuro dos assentamentos judaicos na Cisjordânia deverá ser decidido somente quando forem feitas negociações de paz com os palestinos.

"Enquanto isso não acontece, temos que permitir que a vida normal continue nessas comunidades", afirmou.

As declarações israelenses são uma resposta ao pedido da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que disse na quarta-feira que não deve haver exceções sobre os pedidos do presidente Barack Obama para a interrupção da ampliação dos assentamentos.

Em declarações após um encontro com o ministro das Relações Exteriores do Egito, Hillary Clinton disse que Obama foi "muito claro" durante seu recente encontro com o premiê israelense Binyamin Netanyahu ao dizer que Israel deve congelar todos os assentamentos.

"Não alguns assentamentos, não postos avançados, não a exceções para o crescimento natural. Acreditamos que é do melhor interesse para os esforços de paz que nos comprometamos à interrupção da expansão dos assentamentos", afirmou a secretária de Estado.

Esta foi a primeira vez em vários anos que autoridades americanas expressam um pedido tão firme para o congelamento dos assentamentos nos territórios palestinos.

Os comentários de Hillary Clinton foram feitos poucas horas antes do encontro entre Obama e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, nesta quinta-feira na Casa Branca.

Crescimento natural

A rejeição ao congelamento dos assentamentos já havia sido expressa no domingo pelo próprio premiê israelense. Segundo Netanyahu, novos assentamentos estão proibidos, mas o governo deve permitir o crescimento natural das colônias já existentes.

"Não temos como dizer às pessoas que não tenham filhos ou que forcem os jovens a se mudar para longe de suas famílias", disse ele durante reunião de gabinete no domingo.

Netanyahu prometeu, porém, desativar postos avançados na Cisjordânia - pequenas colônias, algumas com poucas pessoas - que o próprio governo israelense considera ilegal.

"Cuidaremos deles, se possível por meio do diálogo", disse ele. "Não há dúvidas de que nos comprometemos a lidar com eles."

Obstáculos

A questão dos assentamentos judaicos na Cisjordânia é um dos maiores obstáculos que o presidente Barack Obama encontra para o reinício do processo de paz no Oriente Médio.

A Autoridade Nacional Palestina diz que descarta a retomada do diálogo com Israel a menos que o país congele as atividades nos assentamentos e remova todos os bloqueios nas entradas à Cisjordânia.

Abbas deve reiterar essas condições em seu encontro com Obama nesta quinta-feira.

Cerca de 500 mil colonos judeus vivem em mais de cem assentamentos construídos por Israel desde a ocupação da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental, em 1967.

Os assentamentos são considerados ilegais pela comunidade internacional, mas Israel rejeita essa determinação.

De acordo com o plano de paz para a região apresentado pelos Estados Unidos em 2003, Israel é obrigado a interromper todas as atividades relacionadas aos assentamentos, incluindo o crescimento natural.

O plano também exige que a Autoridade Nacional Palestina controle os militantes que promovem ataques contra israelenses.