Entenda o que está em jogo nas eleições na Índia

Milhões de indianos vão às urnas entre 16 de abril e 13 de maior para a eleição da Índia, a maior democracia do mundo. Confira abaixo perguntas e respostas sobre o que está em jogo no pleito indiano.
Quando é a eleição e quem está envolvido?
Por motivos logísticos, a eleição para o Lok Sabha - a câmara baixa do Parlamento indiano - acontece ao longo de cinco dias: 16 de abril, 23 de abril, 30 de abril, 7 de maio e 13 de maio.
Em alguns estados, a votação acontecerá em diferentes estágios. A contagem dos votos começa no dia 16 de maio.
Cerca de 715 milhões de pessoas podem votar. Estima-se que quatro milhões de pessoas estão envolvidas na organização da eleição.
Como a votação foi organizada?
A Comissão Eleitoral teve que pensar em uma longa lista de obstáculos potenciais ao marcar as datas de votação - como exames escolares, feriados, festivais, colheitas e até monções.
Os desafios de se organizar uma eleição como esta são enormes. Existem 828.804 colégios eleitorais. No santuário de Gir, no Estado de Gujarat, há um colégio eleitoral destinado a apenas um eleitor.
Muitos colégios foram montados para reduzir o tempo de viagem dos eleitores, já que alguns precisam atravessar montanhas e rios para votar.
Há medidas de segurança especiais no Estado de Jammu e Caxemira, onde militantes separatistas operam há quase duas décadas.
A urna eletrônica, introduzida em 2004, será usada pela segunda vez. Pela primeira vez, serão apresentadas fotos dos candidatos nas urnas, para evitar fraudes. Muitos indianos são analfabetos, e identificam seus partidos através de símbolos.
Quem está competindo?
Há duas coalizões competindo por poder: a Aliança Progressiva Unida (UPA, na sigla em inglês), que governa a Índia há cinco anos, e a Aliança Nacional Democrática (NDA), de oposição.
A UPA é encabeçada pelo Partido do Congresso, que governou a Índia por um longo período até perder sua força. Já o NDA é liderado pelo partido nacionalista hindu Bharatiya Janata Party (BJP).
No entanto, ambos os partidos estão sofrendo pressões de uma aliança de esquerda e de partidos regionais, que formaram uma "terceira frente". Esta frente poderia unir-se em torno da governadora de Uttar Pradesh, Mayawati, que é "dalit" (ou "intocável", pertencente a casta que é considerada a mais baixa da sociedade indiana).
Quais são os principais temas da eleição?
Os eleitores estão avaliando as políticas colocadas em prática pelo Partido do Congresso nos últimos cinco anos, o que inclui um pacote de US$ 2,2 bilhões para geração de empregos rurais - provavelmente o maior programa pró-agricultura do mundo - e uma nova lei de direito à informação.
O Partido do Congresso tem dado ênfase ao acelerado crescimento econômico durante o seu governo e aos investimentos em políticas sociais e infra-estrutura de energia. Mas o crescimento foi afetado no último ano, com perdas de empregos e custos crescentes, o que pode ter impacto no resultado eleitoral.
O BJP/NDA está dando destaque aos problemas de segurança interna após os atentados de 2008 em Mumbai, dizendo que o governo não reagiu bem no combate a ações terroristas.
A oposição também critica o Partido do Congresso pelo que chama de reformas econômicas lentas e diz que o primeiro-ministro, Manmohan Singh, é ineficiente e se submete ao poder da líder do partido, Sonia Gandhi.
O que pode acontecer nestas eleições?
A fragmentação da política indiana e o crescimento dos partidos políticos regionais causaram problemas tanto para a coalizão do Partido do Congresso como para a do BJP.
Ambas as coalizões estão enfraquecidas e buscando alianças regionais para se fortalecer nacionalmente.
Se nenhuma das duas coalizões conseguir conquistar a maioria, os partidos regionais e os de esquerda poderão desempenhar um papel importante na política indiana. A "terceira frente" poderia até mesmo tentar formar um governo.
O tamanho gigantesco das eleições e algumas mudanças territoriais na Índia nos últimos anos contribuem para dificultar ainda mais qualquer previsão sobre o resultado da votação.
A votação será livre e justa?
A Índia tem um bom histórico de organizar eleições pacíficas em grande escala. Os casos de intimidação de eleitores e de compra de votos caíram muito na última década.
Este ano, o período anterior à eleição foi marcado por uma disputa entre dois integrantes da Comissão Eleitoral - N Gopalaswami e Navin Chawla. Gopalaswami acusou Chawla de ser pró-Partido do Congresso e recomendou sua exclusão da Comissão. Chawla negou as acusações e manteve-se no cargo.












