Obama descarta renúncia de secretário do Tesouro dos EUA

O secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, não terá permissão para renunciar apesar das críticas que vem sofrendo desde que assumiu o cargo, há apenas dois meses, afirmou neste sábado o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.
Em entrevista ao programa 60 Minutes, da rede de TV americana CBS, Obama disse que recusaria qualquer pedido de demissão por parte de Geithner e lhe diria: "Desculpa, meu irmão, o emprego ainda é seu".
O presidente ressaltou que os dois ainda não conversaram sobre o assunto.
Geithner tem sido alvo de pesadas críticas em relação ao pagamento de bônus milionários aos executivos da seguradora americana AIG, que segundo informações reveladas neste sábado, chegaram a US$ 218 milhões, um valor bem mais alto do que havia sido divulgado anteriormente (US$ 165 milhões).
O secretário do Tesouro vem sendo questionado sobre o quanto ele sabia sobre o pagamento dos benefícios pela AIG, que no ano passado recebeu um auxílio bilionário do governo americano para não entrar em concordata.
Crise e Guantánamo
Esta não é a primeira vez que o secretário é alvo de críticas. Durante sua confirmação ao cargo no Senado, veio à tona a denúncia de que ele não teria pagado impostos do sistema de seguridade social na época em que era funcionário do Fundo Monetário internacional (FMI).
O presidente defendeu o secretário ao longo desta semana, quando o escândalo sobre o pagamento dos bônus veio à tona e, neste sábado, disse repetidas vezes ao entrevistador da CBS que "não há chances de o secretário do Tesouro renunciar apenas dois meses após a posse".
Em sua mais longa entrevista televisiva desde que assumiu a Casa Branca, o presidente ressaltou seus esforços para combater a crise financeira.
Ele defendeu seu plano de estímulo econômico e o orçamento de US$ 3,55 trilhões para o próximo ano, acrescentando que críticas são naturais em tempos difíceis.
"Vai demorar um pouco mais do que gostaríamos para garantir que esse plano dê certo", disse ele.
O presidente ainda defendeu sua decisão de fechar o centro de detenção na Baía de Guantánamo, em Cuba.
"Guantánamo não nos deixou mais seguros", afirmou. "E ainda serviu de grande propaganda a favor do sentimento antiamericano".












