Doadores prometem US$ 4,5 bilhões para reconstruir Gaza

Doadores internacionais prometeram nesta segunda-feira doar US$ 4,5 bilhões para ajudar na reconstrução da Faixa de Gaza, após a recente ofensiva israelense na região.
O valor excede os US$ 2,8 bilhões pedidos pela Autoridade Palestina.
Segundo cálculos da ONU, os 22 dias de ofensiva militar israelense destruíram 14 mil casas, 219 fábricas e 240 escolas.
Entre os maiores doadores estão a Arábia Saudita, com US$ 1 bilhão, e os Estados Unidos, com US$ 900 milhões.
Outros 70 países prometeram recursos durante a conferência realizada no balneário egípcio de Sharm el-Sheik.
Brasil
O embaixador brasileiro em Israel, Pedro Motta, disse que o Brasil planeja doar US$ 10 milhões para a reconstrução da Faixa de Gaza.
"De acordo com os planos, o Brasil deverá doar US$ 10 milhões, uma soma que, para nós, como país pobre e em desenvolvimento, é muito dinheiro", afirmou o embaixador brasileiro em Israel, Pedro Motta, à BBC Brasil.
"O Brasil nunca foi um país doador, e esse caso representa uma mudança na nossa atitude, pois queremos contribuir para o alívio da situação humanitária e para a reconstrução da Faixa de Gaza."
"Estamos fazendo um grande esforço para fazer uma contribuição significativa, e essa soma equivale à nossa doação anterior aos palestinos, na Conferência de Paris, em dezembro de 2007", acrescentou o embaixador.
Bloqueio
Apesar do volume das doações, a conferência no Egito foi realizada sem a presença de representantes do grupo palestino Hamas, que controla Gaza, e do governo israelense.
Correspondentes consideram fundamental a colaboração de Israel e do Hamas para a concretização dos esforços de reconstrução.
O Hamas controla a Faixa de Gaza desde junho de 2007, depois que expulsou a liderança identificada com o Fatah da região.
O Exército israelense controla as vias de acesso terrestre, o espaço aéreo e o espaço marítimo.
Sem a abertura do bloqueio decretado por Israel, não será possivel transportar para a Faixa de Gaza materiais básicos para a reconstrução, como cimento e ferro.
Israel condiciona o fim do bloqueio à libertação do soldado israelense Gilad Shalit, capturado por militantes palestinos, e à interrupção do lançamento de foguetes a partir da Faixa de Gaza contra o sul do país.
A abertura das vias de acesso a Gaza depende também de um acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas.
Projetos de construção e mesmo de retirada das grandes quantidades de escombros não poderão ser realizados sem o acordo com o Hamas, que tem o controle absoluto de tudo que ocorre na Faixa de Gaza.
Plano
Os fundos arrecadados deverão ser entregues à Autoridade Palestina, que é liderada pelo Fatah e controla a Cisjordânia, mas perdeu todos os seus mecanismos de governo na Faixa de Gaza para o Hamas.
O primeiro-ministro palestino, Salam Fayad, elaborou um plano que inclui não só a reconstrução fisica da Faixa de Gaza, mas também a assistência necessária às familias de cerca de 1,3 mil mortos, a 1,9 mil deficientes fisicos que precisarão de recuperação e a cerca de 100 mil pessoas que ficaram sem moradia.
De acordo com o plano de Fayad, US$ 315 milhões serão destinados à reconstrução de instituições sociais que ficaram danificadas ou totalmente destruídas, como escolas, hospitais e mesquitas.
A reconstrução da infraestrutura urbana, como redes de água, eletricidade e esgoto, deverá custar US$ 500 milhões.
* com informações de Guila Flint, de Tel Aviv para a BBC Brasil












