Manifestantes indianos enviam calcinhas para grupo extremista

O grupo já conta com mais de 5 mil integrantes
Legenda da foto, O grupo já conta com mais de 5 mil integrantes

Indianos revoltados após um ataque contra mulheres que bebiam em um bar se uniram para mandar um presente a militantes extremistas: calcinhas.

Mais de 5 mil pessoas, incluindo muitos homens, aderiram ao grupo, que se autodenomina Consortium of Pub-going, Loose and Forward Women (em tradução livre, Associação de Mulheres Avançadas, Fáceis e Frequentadoras de Bares) ou CPLFW no site de relacionamentos Facebook.

A associação diz que vai dar as calcinhas cor-de-rosa aos militantes do grupo Sri Ram Sena (Exército do Lorde Ram) no próximo sábado, Dia dos Namorados na Índia.

O obscuro grupo militante está sendo responsabilizado pelo ataque, ocorrido no mês passado em um bar na cidade de Mangalore, no sul do país.

O líder do grupo, Pramod Mutalik, preso após o ataque, foi libertado depois de pagar fiança. Ele disse que "não é aceitável" que mulheres frequentem bares na Índia.

Mutalik disse também que seus homens vão protestar contra o Dia dos Namorados no sábado.

Calcinhas

O CPLFW, formado no Facebook na última quinta-feira, convocou as mulheres a "andar até o bar mais próximo e comprar uma bebida" no Dia dos Namorados.

Segundo uma porta-voz do CPLFW, a associação espera coletar pelo menos 500 unidades de calcinhas rosa e enviá-las ao escritório de Mutalik na cidade de Hubli, no sul da Índia.

A associação pediu às pessoas que enviem as calcinhas pelo correio ou coloquem suas contribuições em "postos de coleta" em todo o país.

"Trata-se de uma escolha entre ignorar um grupo como o Ram Sena ou responder às suas atividades", diz o CPLFW. "Decidimos dar atenção a ele, mas é um tipo de atenção de que não vai gostar."

O Ram Sena não comentou as atividades da associação.

Chocante

O ataque do mês passado em Mangalore, filmado e transmitido em televisão nacional, chocou muitos indianos.

As imagens mostraram homens perseguindo e batendo nas mulheres em pânico. Algumas das mulheres, que tropeçaram e caíram, foram chutadas pelos homens.

Para Mutalik, as mulheres não devem frequentar bares
Legenda da foto, Para Mutalik, as mulheres não devem frequentar bares

Cerca de 30 pessoas, incluindo Mutalik, foram presas após o ataque.

Grupos de defesa dos direitos das mulheres condenaram veementemente o ataque, que foi descrito pela ministra das Mulheres do país, Renuka Chaudhury, como uma tentativa de impor valores do estilo Talebã na Índia.

O governo nacionalista hindu do Estado de Kamataka se distanciou do ataque, dizendo que não tinha nada a ver com o Sri Ram Sena.

Mas correspondentes na região dizem que milícias de direita hindus, que estariam vinculadas ao partido governista de Kamataka, o BJP, estão em atividade em muitas regiões da Índia e, no passado, fizeram ataques contra minorias muçulmanas e cristãs e contra eventos como o Dia dos Namorados.